Controle de dívidas de clientes é fundamental para as empresas na obtenção de créditos, comprova pesquisa nacional

Com as reações da economia indicando sinais de recuperação as empresas precisam dar mais atenção aos seus cadastros, já que 50% das causas de rejeição em créditos surgem das dívidas pendentes em nome destas empresas. É o que mostra a pesquisa divulgada pela Serasa Experian, líder em serviços de informações para apoio na tomada de decisões empresariais.

Na última pesquisa, com 1595 consumidores, 88% deles afirmaram que o score pode contribuir para o acesso ao crédito dos brasileiros. Este levantamento foi sobre o modelo estatístico que auxilia na tomada de decisão para a concessão de crédito. O score reflete o comportamento e hábitos da vida financeira da população. Quem tem uma boa pontuação é visto pelo mercado como um consumidor mais apto a receber as melhores ofertas e condições, na hora de fazer um financiamento. E agora, com o Cadastro Positivo, este processo vai se intensificar, e o score vai ser cada vez mais visto pelos brasileiros como uma ferramenta de empoderamento econômico.

A pesquisa comprovou ainda que a consulta prévia e o acompanhamento do cadastro tornaram-se ferramentas de gestão, sendo aplicadas de forma constante pelas empresas na autoavaliação de sua vida econômico-financeira. E isso geralmente é o primeiro passo no desenvolvimento de um planejamento de reestruturação, na análise do advogado Thierry Phillipe Souto, especialista em direito empresarial. Ele diz que a autocrítica e a reflexão, trazidas por estas avaliações, são princípios essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial, retratando o presente e indicando o preparo para o futuro: “O crédito contraído com responsabilidade e bom planejamento pela empresa representa o impulso inicial para a realização de um ajuste pontual do seu passado e para o início do avanço no crescimento estratégico de suas atividades”.

Mas ele diz também que o caminho para um bom cadastro é árduo, sendo a renegociação de dívidas uma condição imprescindível para conquistar a estabilidade necessária para a obtenção de créditos: “A liberação de crédito depende da viabilidade e credibilidade, fatores que só são obtidos com a adoção de medidas de reestruturação e de soluções pela empresa. O procedimento de “recuperação judicial”, instaurado pela empresa, é uma medida muito comum na renegociação de dívidas. E que acaba sendo o estímulo necessário e de segurança determinante para quem concede o crédito”, explica o advogado.

Ele lembra também que, ao adotar este compromisso e a transparência a empresa vai dar a certeza que falta a quem concede o crédito, de que receberá de volta o valor que emprestou: “Estamos vivendo momentos de expectativa com as primeiras reações da economia depois da reforma da previdência. A aparente estabilidade da política econômica está indicando pela primeira vez a volta do aquecimento do mercado. E é importante se preparar para esta nova etapa da economia”.

Empresas em crise

Pelo acompanhamento de problemas em empresas com dificuldades, o advogado Thierry Phillipe Souto reforça que os empresários precisam “arrumar a casa”, reorganizando as suas dívidas com urgência. E que também devem prorrogar o endividamento de curto prazo, evitando investimentos desnecessários. E acrescenta: “Este não é um momento para que as empresas venham a se complicar ainda mais, enfrentando novas cobranças que podem levar a perda de suas máquinas, matéria-prima e dinheiro, porque isso pode ser fatal nesta hora”.

Os seguidos pedidos de recuperação judicial indicam que esta pode ser uma alternativa diante de fases difíceis, analisa o advogado. Thierry Phillipe Souto explica que a recuperação judicial é uma medida preventiva comum, usada por empresas para seguir com os seus negócios, barrando as cobranças e reorganizando as dívidas. “Muitas empresas, que temem a piora da situação, se adiantam para poderem ficar mais fortalecidas diante da crise. Em momentos assim a palavra certa é o planejamento. E o empresário precisa ter foco e atitude” afirma.

Falta de contratos

Thierry Phillipe Souto cita ainda a falta de contratos como uma das grandes causas dos números negativos para as empresas: “Negócios realizados informalmente viram grandes problemas. E a falta de contratos tem consequências quando uma das partes descumpre o combinado. Quando há contrato as empresas podem encontrar na mesma hora as respostas necessárias para resolver desentendimentos”, explica.

Ele já viu uma série de casos em que a falta de contratos levou a grandes dificuldades para cobrar a outra parte. E estes processos costumam levar muitos anos, sem certeza de resultados: “Os contratos devem ser feitos com a análise de todas as possibilidades de descumprimento, ou se tornam inúteis. Tudo deve ser definido antes mesmo de se concretizar a relação empresarial, garantindo maior segurança jurídica e ganho de tempo e dinheiro. E com maiores chances de sucesso ao final de um possível processo”, conclui.

Website: http://www.thierrysoutocosta.com.br