Brasil é vice-líder em complexidade financeira

Estar em conformidade com as leis e regulamentações do país em que vivemos ou fazemos negócio é uma obrigação de cidadãos e empresas responsáveis, mas nem sempre isso é uma tarefa simples.

De acordo com o Índice de Complexidade Financeira 2018 da TMF Group, o Brasil é o segundo país mais complexo do mundo entre as 94 nações analisadas, perdendo apenas para a China. As maiores dificuldades observadas no levantamento estão relacionadas ao cumprimento das obrigações referentes às áreas de compliance, fiscal e contábil. Isso pode ser explicado pelas constantes alterações em leis vigentes e ao frequente surgimento de novas regras.

“Quem não está extremamente atento e acompanhando as mudanças diariamente pode estar fora da lei sem saber. E o cenário é ainda mais complicado para as multinacionais, que precisam adequar as declarações às legislações locais e adaptar todos os dados ao controle global”, explica Marco Sottovia, presidente da TMF Group Brasil.

Burocracia

Segundo a empresa responsável pela pesquisa, enquanto a primeira colocada China tem a avaliação impulsionada pelo Golden Tax System, sistema que implica em maior cautela e detalhamento ao entregar relatórios e declarações fiscais para o governo, o Brasil tem como fator decisivo para a vice-liderança no ranking a automatização de sistemas. Apesar de, na teoria, o eSocial não solicitar dados diferentes das diversas declarações anteriores, o sistema se mostrou difícil de ser adotado pelas empresas. O segundo fator mais mencionado pelos entrevistados é o Reinf, obrigação fiscal que complementa o eSocial. Os dois sistemas juntos exigem mais qualidade e quantidade de dados compartilhados com o governo.

América Latina

Apesar de ser o segundo colocado no ranking global, o Brasil manteve a liderança na América Latina, região mais complexa pelo segundo ano consecutivo, com cinco países no top 10 mundial – Argentina (5ª posição), Bolívia (7ª), Colômbia (8ª) e México (9ª).

“Diversos países da América Latina iniciaram o processo de automatização de seus sistemas, implementando ferramentas digitais e unificadas. A longo prazo, as mudanças irão simplificar as declarações para o governo, mas, à curto prazo, a transição está causando impactos para as empresas”, explica Sottovia. 

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