As perspectivas para o mercado imobiliário paulista em 2018

Após apresentar um leve crescimento em 2017 em relação ao ano anterior, o mercado de imóveis em São Paulo tende a apresentar um leve crescimento ao longo deste ano.

Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), a expectativa é que esse setor aumente suas vendas em 10% em 2018.

A justificativa para tal fato se deve pelo fato das taxas de juros presentes na maioria dos créditos imobiliários sofrerem uma intensa redução ao longo do último ano. Entretanto, isso só foi possível devido à queda da Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que fechou 2017 em um valor de 7%.

O setor imobiliário em São Paulo durante 2017

Dados obtidos pela Pesquisa do Mercado Imobiliário feita pelo Secovi-SP apontam que cerca de 18,6 mil imóveis foram comercializados no período correspondente a janeiro e novembro de 2017 somente na capital. Tal número revela um aumento de, aproximadamente, 33% em relação aos onze primeiros meses do ano retrasado.

Outro dado que revela o crescimento do setor em São Paulo faz referência ao mês de novembro de 2017. Nesse mês, o setor comercializou 3.869 unidades, segundo o Secovi-SP, enquanto em outubro esse número foi de apenas 1.981 – crescimento de 95,3%. Se comparado a novembro de 2016, a porcentagem de aumento é ainda maior (124,4%).

Vale ressaltar que o IPCA (Índice de Preços no Consumidor) fechou 2017 com um valor histórico de 2,95% – o menor desde 1998 quando esse valor foi de 1,65% colaborando para uma sobrevida do setor.

Além disso, o Banco Central do Brasil estima que o PIB (Produto Interno Bruto), após dois anos consecutivos em queda, apresente um tímido crescimento de cerca de 1% em 2017, colaborando também com o mercado imobiliário.

Justificativas para o crescimento do setor no ano passado

Apesar do mercado imobiliário paulista ter crescido ao longo de 2017, o mesmo apresentou um desequilíbrio com relação às vendas de cada modelo de imóvel presente no setor.

Com base em informações da revista Exame e do jornal Folha de São Paulo, imóveis de cunho popular, financiados pelo programa Minha Casa Minha Vida, apresentaram um crescimento maior em relação aos de médio e alto padrão.

Esse crescimento só foi possível devido às novas normas impostas por esse programa de financiamento, que colaboraram e muito para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. Atualmente, o limite de renda para poder usar esse crédito é de R$ 9 mil mensais, ante R$ 6,5 mil proposto até meados de 2017.

Outras facilidades oferecidas pelo minha Casa Minha Vida diz respeito a redução da taxa de juros decorrente da diminuição do valor da Selic; e ao uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como entrada no financiamento.

Mercado em alta, construtoras ainda em crise

Mesmo o mercado imobiliário ter apresentado um crescimento em 2017, o resultado para o setor de construção de imóveis, que abrange construtoras e empreiteiras, ainda não atingiu as expectativas e continuou em baixa.

Em queda desde 2014, o ramo de construção civil fechou o ano passado com redução de 3,5% segundo levantamento feito pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Para o presidente do CBIC, José Carlos Martins, um dos motivos para o setor ainda estar em crise profunda é o fato das verbas voltadas à construção de moradias ter diminuído, em decorrência da diminuição no número de compra e venda de imóveis nos últimos meses.

Ainda, segundo ele, é preciso levar em consideração que muitos paulistanos desistiram de comprar imóveis no meio do caminho, devido a não terem condições de darem prosseguimento no processo de financiamento.

Esses fatores, foram culminantes para as empreiteiras não investirem pesado na construção de novos empreendimentos devido ao risco das unidades ficarem empacadas, gerando enormes prejuízos a elas.

2018 será um bom ano para o setor de imóveis?

Diante do crescimento obtido em 2017 e da perspectiva para esse ano, a situação do mercado imobiliário está voltando a ficar estável a ponto de superar a crise que o afetou nos últimos anos.

Segundo o Banco Central do Brasil, um dos recursos mais utilizados pelos brasileiros para darem entrada em um imóvel novo é a tradicional caderneta de poupança. Esse modelo de investimento obteve o ano passado um saldo positivo de, aproximadamente, R$ 17 milhões e, por essa razão, os financiamentos com esses recursos tendem a crescer neste ano.

Dado continuidade ao processo de crescimento iniciado no fim do ano passado, a previsão do Banco Central é que o PIB aumente 2,3% ao longo de 2018. Contudo, os mais otimistas apostam em uma elevação de até 3,5% considerando o valor das commodities e do dólar.

Por ser um ano de eleição e com outras pendências sociais, o ramo político do país ainda se encontra muito fragilizado e, por esse motivo, o mesmo pode interferir indiretamente na economia brasileiro. Entretanto, as chances do mercado imobiliário ser afetado diante dos acontecimentos tende a ser cada vez menor.