Dick Brown

Presidente e CEO da EDS, de Dallas

Minha filosofia de liderança é resultado do que aprendi com meu pai e minha mãe. Meu pai era professor de matemática, um homem brilhante, de idéias originais e impressionante capacidade de comunicação. Era ele quem tomava as decisões e impunha a disciplina em casa. Minha mãe era muito sociável e gentil. Ela sempre conseguia descobrir o melhor nas pessoas. Como motivadora e fonte de energia, ela era insuperável. Como líder, tento combinar o melhor dos dois com base em pressupostos realistas, ao mesmo tempo que mantenho minha bússola sempre apontada para o lado positivo da natureza humana.

Não sou muito fanático por metáforas esportivas, mas tenho de admitir que aprendi muito com meu técnico de beisebol na Universidade de Ohio. Na EDS, tento sempre lembrar às pessoas como é importante ser ousado e não desperdiçar as oportunidades — mudanças incrementais não justificam a perda de calorias. Isso eu aprendi com meu técnico. Ele nos dizia: “Se é para sair de campo, pelo menos o façam com classe. Não gostaria de ver ninguém expulso por causa de três strikes perdidos”. Na EDS, a idéia é que todos procurem sempre rebater da melhor maneira possível. Quem age assim dá impulso aos negócios, ainda que, vez ou outra, não acerte a bola.

A liderança deixa a desejar quando o líder coloca seus desejos pessoais acima do bom senso. Às vezes, ele sabe que precisa ter uma conversa séria com alguém — mas sem baixar o nível. Contudo, a conversa nunca acontece porque o líder quer que todos gostem dele e que o vejam como um sujeito simpático. O que ele não entende é que as pessoas estão dispostas a aceitar um líder enérgico, contanto que justo. A coisa mais injusta que se pode fazer a uma pessoa, na minha opinião, é deixar de dizer a ela com toda a franqueza o que pensamos a respeito de seu desempenho.

Não é fácil falar dessas coisas — se fosse, não precisaríamos de líderes. Antes de travar um diálogo desse tipo, sempre aplico a mim mesmo um teste mental: “Se fosse eu que estivesse do outro lado, será que acharia justo ter de ouvir tudo o que foi dito?” Como podemos ver, as pessoas, no fundo, estão sempre dispostas a realizar um bom trabalho. Desde que suas palavras sejam bem-intencionadas e construtivas — se o que você tem a dizer for algo que as ajude a melhorar seu desempenho –, esteja certo de que elas o ouvirão, ainda que seja extremamente franco e muito difícil de ser engolido.