Despedida “é apenas um até logo”, diz Abilio sobre saída da BRF

Para Diniz, apesar do efeito "devastador" da Operação Carne Fraca, companhia já está pronta para retomar o crescimento

São Paulo – Em seu primeiro pronunciamento após a destituição do cargo de presidente do conselho de administração da BRF, Abilio Diniz disse nesta sexta-feira, 27, que processo terminou com final feliz e que sua despedida da empresa é “apenas uma até logo”.

Ele também destacou que a Operação Carne Fraca causou um efeito “devastador”, porém a companhia já está pronta para retomar o crescimento. “As duas operações Carne Fraca foram muito pesadas, por conta dos fechamentos externos, mas a empresa está preparada para crescer”, afirmou em teleconferência a jornalistas.

Somente com a deflagração da Operação Trapaça, etapa mais recente da Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal no mês passado, a BRF perdeu cerca de R$ 5 bilhões em valor de mercado em um pregão.

Para Diniz, isso abriu precedente para que outros mercados aproveitassem para “tirar vantagem” comercial. “Temos cuidados sanitários que concorrentes como a Tyson (Foods) não tomam nos Estados Unidos”, disse, enfatizando a eficácia do sistema de sanidade adotado pela empresa.

As investigações da PF, que encontraram irregularidades no sistema sanitário da empresa, acarretaram questionamentos internacionais e embargos a produtos exportados pela BRF.

Em meio a essas turbulências, nesta quinta-feira, depois de mais de nove horas de reunião, o nome de Pedro Parente, presidente da Petrobras, foi anunciado como o sucessor de Abilio na presidência do conselho da BRF.

A escolha tem como objetivo conduzir a reestruturação da companhia junto a players como a União Europeia. “Buscamos Pedro Parente, conheço sua trajetória e estou satisfeito com a substituição”, disse Diniz.

Abilio ainda afirmou ter atingido seu objetivo, que era a pacificação da companhia. Para ele, a entrada do presidente do Petrobrás não pode ser classificada como uma transição; trata-se, disse ele, de uma alteração de cargo comum no meio corporativo.

Questionado sobre suas ações à frente do conselho, durante o período em que a BRF mergulhou em perdas financeiras, Abilio afirmou que todos os problemas pelos quais a empresa passou aconteceriam independentemente da gestão e dos membros de conselho.

Em relação ao cenário de mercado, Abilio comentou que seus primeiros anos de liderança foram muito positivos. “(Porém) a situação ficou difícil nos últimos 2 anos, com um clima que não me deixava feliz”, disse. Entre as adversidades estavam os preços das commodities em queda e a oferta restrita de milho, ocorrida no Brasil em 2016, após uma seca severa nas principais regiões produtivas do Centro-Oeste. O cereal é o principal insumo utilizado na ração animal.

“Também tivemos problemas de gestão, com as pessoas envolvidas, mas não era minha função intervir. Apesar de todo o prejuízo, tenho orgulho do que passei na companhia e do legado que deixei, acho que não teria feito nada diferente. Ontem falei aos acionistas que minha saída não é uma despedida, é apenas um até logo”, enfatizou o executivo.

Novos membros

Ao lado de Parente estarão Augusto Cruz (ex-Pão de Açúcar), como vice-presidente, e mais oito nomes indicados para compor o conselho: Dan Ioschpe, Flávia Buarque de Almeida, Francisco Petros, José Luiz Osório, Luiz Fernando Furlan, Roberto Antonio Mendes, Roberto Rodrigues e Walter Malieni. O anúncio foi feito durante assembleia de acionistas realizada nesta quinta-feira no município de Itajaí (SC).

“A coisa mais importante que deixei, que considero meu legado, é a cultura de gente. Estou certo que este primeiro time de executivos (do novo conselho) entende que as pessoas são a questão mais importante”, ressaltou Diniz.

“Nenhum conselheiro individualmente deve ter poder, o poder vem do coletivo”, acrescentou. Segundo o executivo, até o momento não foram realizadas conversas sobre alterações no cargo de CEO da companhia.

Próximos passos

Sobre sua vida corporativa a partir de agora, Abílio destacou que ainda não tem certeza do que vem pela frente. Ressaltou que faz parte da Península, uma empresa de investimento da qual a BRF participa com uma fatia de 7% e que integra outros importantes players, como o Carrefour. “Somos investidores de longo prazo, somos gestores, vamos encontrar e algo para fazer com satisfação”, finalizou.

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