Design italiano, sim _só que made in Brazil

Os italianos estão comprometidos até o último fio de cabelo com o novo pólo industrial de móveis de Uberlândia (MG) e querem que ele seja apenas o primeiro de uma série, dedicada a exportar para a América do Norte produtos com sofisticado design italiano, mas feitos no Brasil.

A afirmação foi feita na terça-feira (4/6) por Adolfo Urso, ministro do Comércio Exterior da Itália. O Brasil oferece vantagens alfandegárias, menor custo de mão-de-obra e energia mais barata , disse ele. Segundo o ministro, estão em planejamento três outros pólos, para os setores têxtil, de calçados e de decoração. Dois deles deverão se instalar no Rio de Janeiro e no Paraná.

O modelo de Uberlândia já é conhecido: 16 companhias italianas e oito brasileiras deverão se instalar no pólo. A Itália entra com design e a tecnologia, o Brasil com mão-de-obra e matéria-prima barata, como couro e madeira. O prazo oficial para o início das atividades é janeiro de 2003, mas Urso afirmou que as italianas devem chegar já nos próximos meses .

A maior empresa do pólo será a Snaidero, fabricante de móveis para cozinha que fatura 300 milhões de euros por ano. Os produtos serão dirigidos principalmente aos Estados Unidos, e talvez ao Japão, dois dos quatro maiores mercados para móveis e decoração italianos, ao lado de Inglaterra e Alemanha. Para exemplificar a solidez do modelo, Urso recorreu à fabricante de sofás Natuzzi, que desde o ano passado produz em Salvador com custo 30% menor que a matriz na Itália e já exporta para os EUA.

Nos futuros pólos, sociedades de capital misto, italiano e brasileiro, atrairão empresas dos dois países para unir o design italiano às vantagens brasileiras. O projeto envolverá Sebrae, BID (que financiará o pólo de Uberlândia em 5 milhões de dólares) e ambos os governos. Para fechar os acordos, Urso encontrou-se com os ministros da Casa Civil, Pedro Parente, das Relações Exteriores, Celso Lafer, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral.

Os responsáveis pelo projeto não concluíram ainda se vale a pena mirar no mercado interno brasileiro como alvo secundário. Alguns, como Andrea Ambra, coordenador do Instituto de Comércio Exterior Brasil-Itália, acham que existe no Brasil uma classe média-alta com capacidade para consumir mais produtos com desenho sofisticado. Outros, como Flavio Cattaneo, presidente da Feira do Móvel de Milão, lembram que os produtos terão preço alto e que a demanda por design em grande escala é típica de economias mais maduras.

A comitiva esteve na terça-feira à noite na Embaixada da Itália, para a abertura da mostra “Il Design Italiano”, organizada pela Feira de Milão. A mostra apresenta produtos ganhadores do “Compasso D Oro”, maior prêmio de design industrial da Itália, e estará até 9 de junho na Embaixada da Itália, em Brasília, e de 12 a 23 de junho na Pinacoteca, em São Paulo.