Depois de universidades, Santander quer chegar a escolas do ensino básico

A estratégia do Santander segue o movimento do próprio mercado, que se voltou a outros negócios além das faculdades nos últimos anos

São Paulo – O Santander, que já possui ofertas e descontos voltados ao público universitário, agora busca alcançar o ensino básico. Com serviços financeiros desenvolvidos especialmente para escolas e professores, além de programas educacionais voltados ao aluno, a empresa quer abocanhar um mercado que fatura 67 bilhões de reais por ano, ou quase 1,5% do PIB do país.

Uma oferta de produtos financeiros foi lançada em setembro deste ano e, até o fim do ano, a força comercial do banco deve entrar em contato com até quatro mil escolas. O pacote atende escolas, professores e pais e responsáveis dos alunos.

O objetivo, segundo Alexandre Teixeira, superintendente executivo da área de negócios e empresas, é atender toda a cadeia da educação. “Queremos completar a oferta e acompanhar o aluno, desde quando é criança até o doutorado”, diz. Ao oferecer pacotes personalizados e acompanhar mais etapas da vida de um cliente, a fidelização é maior e o fechamento de contas, menor.

Entre os produtos voltados às escolas, está o desconto na emissão de boletos das mensalidades, taxas para pagamentos dos funcionários até 60% mais baratas e ofertas vantajosas para investimentos, como reformas nas escolas.

O banco também fechou uma parceria com a Getnet, adquirente do grupo, para receber o pagamento das mensalidades pelo cartão de crédito, algo incomum no mercado. A tarifa cobrada pela máquina de cartão é fixa e não proporcional ao valor recebido, como normalmente acontece, já que, dependendo do valor da mensalidade, a tarifa seria até maior que o de emissão de boletos.

Esse meio de pagamento também permite realizar uma cobrança recorrente: os pais dos alunos passam o cartão de crédito apenas uma vez na maquininha, que cobra o valor da mensalidade todos os meses. A oferta pode ser, futuramente, aplicada a outros negócios que também cobram mensalidades, como academias.

Quando a escola é cliente do banco, o Santander também pode oferecer taxas mais baratas no crédito consignado para professores e funcionários. A vantagem é facilitar o fluxo de pagamentos do RH.

O contato com universidades, que já existe há mais tempo, é feito pela Universia. Só em 2017, o banco ofereceu mais de 4 mil bolsas nacionais e para intercâmbio. Além disso, coordena a contratação de estagiários por pequenas e médias empresas e paga o salário por quatro meses. A Universia também promove encontros entre reitores de universidades para discutir desafios do setor.

A estratégia do Santander, de olhar para a educação básica, segue o movimento do próprio mercado, que se voltou a outros negócios além das faculdades nos últimos anos. A Kroton, maior grupo de ensino do mundo, cresceu comprando concorrentes no ensino superior. Depois que o Cade vetou a compra da Estácio, a empresa passou a comprar escolas no ensino básico, além da Somos Educação, dona do sistema de ensino Anglo e de editoras de livros didáticos como a Ática, por 4,5 bilhões de reais. O Grupo SEB, do empresário Chaim Zaher, também voltou seu foco à educação básica, de onde nasceu.

Além do dinheiro

Além dos pacotes financeiros, o Santander também busca oferecer outras vantagens, como sistemas de gestão de ensino, que organizam o material usado em sala de aula, além de ferramentas e cursos gratuitos, oferecidos em parceria com a Universia, braço de apoio acadêmico à educação do banco.

Para desenvolver o pacote de ofertas destinado ao ensino básico, a empresa passou meses estudando o mercado e quais eram suas dificuldades. “Não adianta oferecer apenas os pacotes financeiros que já temos, sem entender o mercado. O segredo para alcançar e conquistar esses clientes é criar serviços especializados”, afirma Teixeira.

O banco quer chamar a atenção para sua nova estratégia com a quebra de um recorde. Em um evento voltado para estudantes que prestarão o Enem, o Preparadão, a empresa irá oferecer a maior aula de matemática do mundo, com potencial de atingir até cinco mil alunos. O evento foi desenvolvido pela Universia e acontecerá no dia 30 de outubro, no ginásio do parque Ibirapuera.