Denise Johnson deixa presidência da GM no Brasil

Denise enfrentou cenário difícil até para executivos mais experientes, afirma especialista

São Paulo – A montadora GM informou hoje (22/2) que sua presidente no Brasil, Denise Johnson, pediu demissão. A executiva alegou motivos pessoais para sua saída, segundo a empresa. “Lamento informá-los que a presidente da GM do Brasil, Denise Johnson, decidiu deixar a empresa em busca de novas oportunidades de carreira”, afirmou, em nota, Jaime Ardila, presidente da montadora na América do Sul, e que vai ocupar provisoriamente o cargo da executiva no país.

Denise foi a primeira mulher a comandar uma montadora no Brasil, ao assumir a GM em julho do ano passado. Sua nomeação surpreendeu o mercado, já que a executiva não havia construído sua carreira à frente de grandes operações da GM. Antes de assumir o cargo, ela era vice-presidente para relações trabalhistas da empresa na América do Norte.

Durante a gestão de Denise, a GM perdeu mercado no Brasil. A companhia caiu da segunda para a terceira colocação em participação de mercado no país – a segunda colocada, em janeiro de 2011, foi a Volkswagen, segundo dados da Fenabrave, a federação de distribuidores de veículos. Em janeiro de 2010, a participação da GM no mercado brasileiro foi de 21,90%, sendo 22,89% em carros passeio e 18,14% em veículos comerciais leves. Em janeiro de 2011 a participação geral foi de 17,91%, sendo 19,17% em carros passeio e 13,28% em comerciais leves.

Problemas

“Toda saída de um executivo reflete um pouco dos resultados. A GM enfrenta uma série de problemas e, para qualquer executivo, seria um desafio grande”, afirma Fábio Takaki, diretor para a América do Sul da consultoria Booz & Company e especialista no setor automotivo.

Takaki destacou que a GM sempre passou por mudanças de executivos. “Eu esperava que ela ficasse mais tempo, até exatamente mostrar os resultados”, diz. Entre os desafios atuais da GM no mundo, o consultor destacou a necessidade de mostrar credibilidade frente aos consumidores, a melhoria de imagem, a inovação em produtos e a forte concorrência. “A maior dificuldade é desenvolver produtos inovadores e que sejam aceitos pelo mercado, e isso precisa de invetsimentos”, disse.

“Já seria um trabalho hercúleo para qualquer executivo, mesmo para uma pessoa com experiência”, diz Takaki. A executiva iniciou a carreira na montadora aos 25 anos. Ela se formou em engenharia mecânica pela Universidade Estadual de Michigan e possui mestrado em engenharia mecânica e em administração pelo Massachusetts Institute of Technology – MIT.