De bem com o Centro

Porto Seguro investe em reformas e em ações de boa vizinhança no deteriorado bairro de Campos Elísios

Investir 20 milhões de dólares na construção de um prédio, mesmo sabendo que seu valor de mercado ficaria abaixo disso quando estivesse pronto. Descobrir que o casarão carcomido no mesmo terreno foi tombado pelo Condephaat e não pode ser demolido, obrigando arquitetos e engenheiros a elaborar um projeto de reforma sem tirar um único tijolo da construção original. Convencer a direção da empresa a deixar a discreta elegância da avenida Paulista e se mudar para a nova sede, num dos piores pontos de São Paulo: as imediações da chamada cracolândia, região de intenso tráfico de drogas, no bairro de Campos Elísios. Tudo isso parece improvável? Foi o que fez, ao longo das últimas duas décadas, o empresário Jayme Garfinkel, vice-presidente da Porto Seguro, a terceira maior seguradora do país.

“Sob todos os aspectos, vir para o Centro foi uma excelente opção”, afirma Garfinkel. Ele diz que a região tem seus problemas, como a falta de segurança, o que levou a Porto Seguro a oferecer serviço de peruas até o metrô, a pouco mais de três quarteirões, aos funcionários que encerram o expediente ao anoitecer. Mas existem as vantagens de ter deixado as instalações na avenida Paulista. “Com muito menos dinheiro do que precisaríamos para crescer na região da Paulista, ocupamos muito mais espaço no Centro, onde toda a infra-estrutura já está pronta”, diz Garfinkel. “Ao mesmo tempo, estamos colaborando para a recuperação de uma região deteriorada.” A Porto Seguro inaugurou seu prédio na rua dos Guaianazes em 1986. A empresa foi ampliando seus domínios e ocupa hoje mais de 52 mil metros quadrados em 12 imóveis espalhados por oito quarteirões. Parte dos imóveis é alugada para corretores de seguros.

Empresa cidad
Para se integrar à comunidade, a Porto Seguro vem desenvolvendo uma série de ações sociais. Entre as iniciativas patrocinadas no bairro está o apoio à Casa da Solidariedade, um antigo cortiço que foi restaurado pela empresa para oferecer a 200 crianças atividades como orientação psicológica e oficinas de arte e capoeira. Essa casa e os trabalhos do Grupo de Ação Social, formado por voluntários da empresa que se envolvem em trabalhos como limpeza das ruas e arrecadação de roupas, absorvem 15% dos cerca de 2 milhões de reais que a Porto Seguro investe anualmente em ações sociais no país.

No casarão tombado do terreno de sua sede, a Porto Seguro mantém o Espaço de Fotografia, uma galeria que pretende refletir a produção fotográfica brasileira. A reforma da casa ocupada pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), na alameda Nothmann, também foi bancada pela Porto Seguro. A empresa patrocina shows de música brasileira aos domingos na praça Júlio Prestes. É a Praça do Choro, evento promovido em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. A Porto Seguro organiza também, há cinco anos, um bloco carnavalesco do bairro. Garfinkel é um dos foliões. “Tudo o que fazemos no Centro valoriza não só nosso patrimônio, mas a imagem da empresa”, afirma.