Vamos fundo nas culturas vencedoras do Google e do Facebook?

Eduardo Migliano, um dos fundadores do site 99Jobs, fala o que aprendeu sobre as culturas do Google e do Facebbok em sua viagem ao Vale do Silício

São Paulo – Em setembro, o empreendedor Eduardo Migliano, 25 anos, um dos fundadores do site 99Jobs, foi ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, para conhecer a cultura organizacional de gigantes da internet como Google, e Facebbok. No Facebbok, Eduardo descobriu que a rede social ocupa um conjunto de prédio que pertenceu a Sun Microsystems.

A placa da Sun ainda está lá, atrás da placa do Facebook, na entrada da sede da rede social – que alias fica no número 1 da avenida Hacker Way. “A placa da Sun está lá para lembrar que é muito fácil deixar de ser uma empresa inovadora e ser comprado por um concorrente”, diz Eduardo. A Sun foi comprada pela Oracle em 2010. Conheça um pouco das culturas de dois gigantes do mundo digital.

Google – Mais que um trabalho, um estilo de vida

Ao visitar a sede brasileira do Google em São Paulo e conversar com um grupo de funcionários, fica fácil entender por que tantas companhias mundo afora tentam imitar sua gestão de pessoas e incorporar um pouco de sua cultura – e tão poucas conseguem. No Google, tudo funciona a favor da criatividade, da produtividade e, sim, da felicidade do funcionário.

A começar pelas instalações, localizadas num prédio ecologicamente correto e inteligente no coração da Faria Lima, uma das regiões mais nobres de São Paulo. Nos três andares ocupados pela empresa, as áreas de descanso e lazer seguem o padrão de bem-estar mundialmente conhecido (e copiado): salas de jogos e entretenimento, cantos com poltronas, pufes e redes para um rápido cochilo e estúdio com instrumentos musicais para que os aspirantes a músico possam ensaiar nas horas vagas.


Cada um dos ambientes tem uma decoração especial, inspirada em vários pontos típicos da capital paulista, como a rua Oscar Freire, o bairro do Bexiga e o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

A diversidade nas equipes é estimulada com a intenção de aumentar o volume de troca de ideias. O Google também convida palestrantes para falar sobre qualquer assunto que não seja negócio e dá a cada funcionário uma cota anual de 16.000 reais para estudar – 20% do valor pode ser destinado a qualquer curso, como o de violão, para aumentar o repertório cultural.

Os gestores têm papel importante não só na hora de orientar quem quer aprimorar conhecimentos fora do Brasil como também para ajudar a guiar a carreira dos que ficam.

Autonomia e meritocracia são palavras muito repetidas por ali e, na opinião dos empregados, cabe a cada um escolher o direcionamento de sua carreira e a velocidade com que deseja ser promovido.

As cobranças levam em consideração a qualidade dos resultados entregues, e não a quantidade de horas cumpridas no escritório ou em casa. Os valores corporativos são tão assimilados que, no Google, ninguém tem um emprego, mas, sim, um estilo de vida.

Facebook – O jeito kacker de ser

Mark Zuckerberg costuma dizer que o Facebook não foi criado para ser uma empresa, foi construído para cumprir uma missão social: tornar o mundo mais aberto e conectado. Para Zuckerberg, essa missão permeia todas as decisões tomadas e produtos gerados dentro da empresa.

Ter uma missão forte como essa na cabeça de todos os colaboradores da empresa com certeza aumenta o poder de inovação e execução do time como um todo. Mas não é só isso. O fundador do Facebook é obcecado por inovação – sabe que isso é essencial para se manter vivo.

Em setembro, o empreendedor Eduardo Migliano, 25 anos, um dos fundadores do site 99Jobs, foi ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, para conhecer a cultura organizacional de gigantes da internet como Google, Linkedin, Apple e Facebbok. No Facebbok, Eduardo descobriu que a rede social ocupa um conjunto de prédio que pertenceu a Sun Microsystems.

A placa da Sun ainda está lá, atrás da placa do Facebook, na entrada da sede da rede social – que alias fica no número 1 da avenida Hacker Way. “A placa da Sun está lá para lembrar que é muito fácil deixar de ser uma empresa inovadora e ser comprado por um concorrente”, diz Eduardo. A Sun foi comprada pela Oracle em 2010. 

Zuckerberg discorre abertamente sobre a cultura organizacional do Facebook, chamada de The Hacker Way (O Jeito Hacker, em português), disseminada em toda a empresa e que com certeza contribuiu para a empresa chegar aos números que tem hoje.

Segundo Zuckerberg, apesar da palavra hacker ter uma conotação negativa para a maioria das pessoas, ela, na verdade, significa executar algo de forma rápida e testar os limites do que pode ser feito. Hackers acreditam que as coisas nunca estão boas o bastante e que sempre há espaço para melhoria.

Além disso, hackers tem um senso de urgência, construindo as coisas aos poucos, o mais rápido possível. Em vez de parar e pensar a melhor maneira de estruturar e executar uma atividade, as pessoas no Facebook procuram criar protótipos o mais rápido possível.

Zuckerberg também aborda o fato da cultura hacker ser sempre meritocrática. No Facebook, as melhores ideias sempre vencem, independente do cargo ou importância das pessoas envolvidas.

Para encorajar a participação de todos na criação de novos conceitos e ferramentas que possam ser transformadas em produtos e serviços, a empresa promove maratonas de programação, chamadas de Hackaton. Grande parte das inovações do site vem dessas maratonas.