CPI revela que Peru pagou à Odebrecht US$ 3 bi em superfaturamento

Presidente de comissão peruana que investiga casos corrupção da companhia destaca caso de Gasoduto Sul como exemplo de evidência de irregularidades

Pelo menos 10 bilhões de sóis (mais de US$ 3 bilhões) foram pagos pelos cofres públicos do Peru em superfaturamento à Odebrecht em 41 megaprojetos que ficaram a cargo da companhia brasileira nos últimos 15 anos, revelou nesta quarta-feira a presidente da comissão parlamentar de inquérito criada para investigar os casos de corrupção denunciados pela operação Lava Jato no país, Rosa Bartra.

Em entrevista a correspondentes estrangeiros em Lima, Bartra disse que, a dois meses do fim da investigação, foram encontradas evidências de que, “de um total de 50 bilhões de sóis (US$ 15,5 bilhões) em investimento (estatal)”, pelo menos 10 bilhões foram pagos com superfaturamento”.

Estes números foram encontrados, de acordo com ela, graças a uma seleção dos megaprojetos que mostravam “um alto crescimento desde o montante com o qual foram iniciados e o montante com o qual terminaram”.

“Um deles foi o megaprojeto do Gasoduto Sul peruano, que teve custo inicial de US$ 800 milhões e hoje está em US$ 7 bilhões”, declarou a legisladora sobre a obra concedida durante o governo de Ollanta Humala (2011-2016) a um consórcio do qual a Odebrecht fazia parte.

Humala cumpre prisão preventiva, da mesma forma que sua esposa, Nadine Heredia, por causa da denúncia de que recebeu US$ 3 milhões em propinas da Odebrecht para sua campanha eleitoral.

Além disso, Bartra afirmou que o maior impacto do escândalo de corrupção foi “ter penetrado em toda a estrutura do aparelho de governo peruano, com uma cultura de corrupção em todos os níveis”.

Ainda segundo a parlamentar, os resultados “mais destacados” da comissão liderada por ela foram os relacionados aos megaprojetos dos trechos 2, 3 e 4 do projeto Corredor Vial Interoceânico Peru-Brasil (IIRSA Sul) e o da Concessionária Transposição Olmos, que “desencadearam na renúncia do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski e em uma sucessão democrática”.

Kuczynski renunciou à presidência do Peru depois que foram revelados vídeos sobre uma suposta compra de votos para evitar sua cassação no Congresso – que decidiria a respeito em votação que avaliaria seus supostos vínculos com a Odebrecht quando foi ministro do governo Alejandro Toledo (2001-2006).

Bartra afirmou ainda que a investigação sobre Kuczynski, que está proibido de sair do país, está em andamento.