CPFL vai investir R$ 5,4 bi em geração de energia

Empresa quer chegar ao posto de segunda maior geradora de energia privada no Brasil

São Paulo – Tradicionalmente ligada ao segmento de distribuição, a CPFL Energia está executando uma agressiva estratégia de crescimento em geração. Apostando no desenvolvimento de projetos de fontes alternativas, a empresa planeja alcançar o posto de segunda maior geradora privada do Brasil, superando a AES Tietê e ficando atrás da Tractebel, ligada à GDF Suez.

“Em 2013, o nosso parque gerador terá capacidade de 2,97 mil megawatts (MW)”, diz o presidente do grupo, Wilson Ferreira Junior. Entre 2011 e 2013, a previsão de investimentos em geração totaliza R$ 5,4 bilhões. Contudo, o potencial de crescimento do grupo em geração é superior a esse volume. Os atuais projetos em carteira permitirão que a holding elétrica alcance, no médio prazo, uma capacidade instalada de 5,09 mil MW. Para efeito de comparação, um parque desse tamanho é superior ao porte atual da estatal paranaense Copel, oitava maior geradora do País. O volume projetado para 2013 é 72% superior ao tamanho do grupo em 2009, que era de 1,73 mil MW.

Os planos de crescimento em geração começaram a se consolidar no fim de 2010, quando os novos projetos entraram em operação. Desde então, a companhia iniciou a produção de energia em quatro usinas, com destaque para a hidrelétrica Foz do Chapecó, de 855 MW, no Sul do País – a CPFL Energia detém 51% do projeto. Hoje, o grupo tem uma capacidade instalada de 2,39 mil MW, terceira maior geradora privada, com uma meta de alcançar 2,64 mil MW em 2011.

Salto

O grande salto da empresa ocorrerá com a chegada dos projetos de fontes alternativas. No mês passado, a CPFL adquiriu os ativos eólicos da Siif Énergies por R$ 1,5 bilhão e anunciou a associação dos seus ativos de energias renováveis com a Ersa, o que resultou na criação da CPFL Renováveis. “Essa estratégia está absolutamente alinhada com a economia de baixo carbono”, afirma Ferreira Junior. A nova empresa nasce como a maior investidora de usinas eólicas, movidas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas do País.

O avanço no segmento de geração ocorre justamente no momento em que as perspectivas no setor de distribuição de energia são de queda na rentabilidade, em decorrência do processo de revisão tarifária conduzido pela Aneel. Esse tema é de suma importância para a CPFL Energia, já que quase 70% dos seus resultados vêm dos negócios de distribuição. Segundo o executivo, a expectativa é de que, no médio prazo, a unidade de geração contribua com aproximadamente 35% da geração de caixa (Ebitda) e a distribuição, com cerca de 60%.