Consumidor cobra mais responsabilidade social das empresas

Relatório do Akatu e do Instituto Ethos revela que os consumidores estão de olho nas empresas - e exigem delas práticas socias e ambientais

Seis em cada dez brasileiros gostariam que o governo criasse leis para obrigar as empresas a ter mais responsabilidade social – mesmo que isso signifique preços mais altos e menos empregos. Esse é um dos resultados mais surpreendentes do relatório lançado hoje (20/7) pelos institutos Akatu e Ethos. A pesquisa, que ouviu 800 brasileiros das principais capitais, também mostra que consumidor está bastante atento às práticas de responsabilidade social das empresas – cerca de 78% dos brasileiros têm interesse nas ações das empresas – percentual próximo ao de países de vanguarda no assunto, como Estados Unidos, Itália e Canadá. “Está havendo uma mudança no mercado. Novos atributos competitivos, como a responsabilidade social e ambiental, entram na avaliação do consumidor, junto com o preço, a qualidade e o design do produto”, diz Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.

Comparados com os consumidores de outros 20 países que também participaram da pesquisa, os brasileiros têm mais expectativas sobre o papel que as empresas devem desempenhar. Segundo 88% dos entrevistados, a iniciativa privada tem o dever de participar da solução para problemas sociais, como a criminalidade, a pobreza e a baixo índice de educação – em 2002, esse percentual era de 65%.

Outro resultado interessante do relatório é que 65% dos entrevistados no Brasil consideram bom o trabalho das empresas na sociedade. Apesar desse elevado índice de aprovação, a pesquisa aponta certa desconfiança dos consumidores: apenas metade das pessoas acredita que as companhias comunicam com honestidade suas ações sociais e ambientais – via balanço social ou propaganda institucional. “As empresas aperfeiçoaram a comunicação com o consumidor, mas a mídia ainda é a grande divulgadora do que as empresas fazem de bom ou de ruim”, afirma Mattar. Para aumentar o respeito por uma empresa, 62% dos entrevistados brasileiros apostam em parcerias com ONGs ou instituições de caridade.

Atento às ações de responsabilidade social das empresas, um terço dos brasileiros puniu – ou pensou em punir – empresas que tiveram uma conduta por eles considerada social ou ambientalmente equivocada. Deixar de comprar um produto ou falar mal de uma empresa ainda são atitudes praticadas por poucos brasileiros, aproximadamente 15%. “Quando o consumidor tem a informação, ele a usa e divulga, o que significa que essa reação está evoluindo, mesmo que lentamente “, diz o diretor-presidente do Instituto Akatu. Na Austrália, por exemplo, mais da metade dos consumidores assumem a postura de punir essas empresas, realidade mais comum nos países de primeiro mundo.