Construtora Casa Alta cresce 1.500% em cinco anos

Com o impulso da Minha Casa, Minha Vida, a construtora vai atingir, em 2014, um faturamento na casa dos R$ 500 milhões e, em 2015, chega a R$ 1 bilhão

São Paulo – Juarez Viecchi é um sujeito tímido. Não gosta de aparecer nem de colocar sua empresa em evidência. Com esse jeitão, o empresário – natural de Bauru e morador de Curitiba há mais de três décadas – conseguiu a proeza de tornar sua construtora uma das mais importantes do programa federal Minha Casa, Minha Vida praticamente sem sair do anonimato. A Casa Alta está há 35 anos no mercado, mas ainda é uma desconhecida.

O departamento de marketing, por exemplo, é novidade dentro da companhia. Foi criado há apenas oito meses, quando um dos três filhos de Viecchi se formou em Marketing. É ele que, aos 28 anos, toca a nova unidade, sem muita abertura para ousar, porque o pai não gosta de comerciais nem de plantões de vendas – estratégias que são comuns no setor.

“Sem investir em mídia, consigo manter um custo mais baixo”, afirma, para justificar sua decisão. “Com o déficit de moradia que existe no Brasil, não preciso de propaganda.”

O empresário diz ter uma fila de espera de 2,8 mil interessados em comprar seus imóveis e garante não manter nenhuma unidade em estoque. A incorporadora PDG, por exemplo, anunciou no início do mês um leilão para desovar quase R$ 3,4 bilhões em imóveis novos que encalharam e não foram vendidos.

“Nós vivemos um momento diferente das grandes companhias do setor”, diz o empresário – um engenheiro civil que começou a carreira no banco Itaú, onde chegou a ser superintendente de crédito imobiliário.

Foi por causa do emprego no banco que ele deixou Bauru, a 330 quilômetros de São Paulo, para morar no Sul. Já em Curitiba, Viecchi decidiu abandonar a carteira assinada para fundar com o irmão a Casa Alta.

A empresa também faz imóveis de alto padrão, mas se especializou, desde o início, em habitação popular. Até o Minha Casa, Minha Vida, Viecchi tinha uma estratégia muito bem definida de expansão. “Eu só construía em cidades que conhecia bem: onde nasci, onde moro hoje e onde quero morar, na região de Florianópolis.” Com o programa federal, tudo mudou.

Em 2009, quando o governo lançou o projeto para subsidiar a construção de moradias, a Casa Alta faturava R$ 30 milhões. De lá para cá, abriu filiais em Brasília, Uberlândia e Porto Velho. A ideia de se aventurar em outras praças surgiu, segundo Viecchi, a partir de um convite da Caixa Econômica Federal, maior financiadora do Minha Casa.

O banco, conta o empresário, fez o meio de campo para que a empresa atuasse em cidades com pouca oferta de projetos do programa federal, como Porto Velho. A Caixa nega que faça esse tipo de “convite” para as empresas.

Com o impulso dado pelo Minha Casa, Minha Vida, a construtora curitibana vai atingir, em 2014, um faturamento na casa dos R$ 500 milhões e, em 2015, deve chegar a R$ 1 bilhão por causa dos contratos que já foram assinados.

Para suportar o crescimento de 1.500% em cinco anos, a empresa montou, na sede, o que Viecchi chama de “torre de controle”: softwares desenvolvidos internamente para monitorar todas as obras. Com o jatinho que comprou há um ano, o empresário visita semanalmente os canteiros, onde são construídas em média 12 casas por dia.

“A Casa Alta é um ‘case’ dentro do setor, embora seja desconhecida”, diz José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). “Nem eu, que sou do Paraná, sabia da existência dessa empresa até alguns meses atrás.” Assim como ele, no setor, poucos conhecem a companhia além dos gerentes de Recursos Humanos das construtoras rivais.

Com 4,7 mil funcionários, Viecchi não pensou duas vezes antes de ir buscar mão de obra na concorrência. Entre os principais executivos, 12 vieram de companhias como Brookfield, Direcional, MRV e Gafisa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.