Conheça o Advent, fundo que agora vai mandar no Walmart no Brasil

Fundo já investiu em mais de 30 empresas brasileiras como Kroton, Estácio e restaurantes Viena. Novo dono deve encerrar política de preço baixo todo dia.

São Paulo – Depois de meses buscando uma solução para a sua operação no Brasil, o Walmart anunciou que vendeu 80% de sua participação para o fundo de investimentos Advent International.

A varejista americana manterá a participação restante após a conclusão da transação, que está sujeita à aprovação regulatória no Brasil. O valor da transação não foi divulgado, mas o Walmart espera registrar uma perda líquida em seu balanço do segundo trimestre de 4,5 bilhões, sem efeito no caixa da empresa.

Esse será o maior negócio global em faturamento da Advent, investidor internacional de private equity. “A Advent tinha experiência em varejo no mundo e no Brasil. E acredita que gerir o Walmart como se fosse uma empresa brasileira, com as decisões tomadas aqui, pode acelerar o crescimento”, diz um executivo que acompanhou as negociações.

A prioridade, segundo ele, é encerrar a política de preço baixo todo dia, que nunca decolou no Brasil, e investir em atacarejo e clubes de compras, nichos de negócio em franca expansão no Brasil e no mundo.

Patrice Etlin, Managing Partner da Advent International, disse que o fundo está “entusiasmado com essa parceria com o maior varejista do mundo”. “Acreditamos que, com nosso conhecimento do mercado local e expertise em varejo, poderemos posicionar a empresa para gerar resultados expressivos e alcançar novos patamares de sucesso no Brasil”, afirmou Etlin, em nota à imprensa.

Mundialmente, nos últimos 28 anos, a Advent realizou 40 investimentos no segmento de varejo em 14 países. A empresa está no Brasil desde 1997 e já investiu em mais de 30 empresas brasileiras de diversos setores, como Easynvest, Kroton, Estácio, Grupo Fleury, Restoque e Dudalina, Cetip, restaurantes Viena e CSU CardSystem.

Há dois anos, o fundo captou 13 bilhões de dólares, dos quais 20% seriam usados em novos investimentos em mercados emergentes, como o Brasil. O fundo foi uma das empresas que entraram na briga pela BR Distribuidora, que acabou não sendo vendida.

Até então, o seu maior investimento no Brasil em termos de faturamento era na Kroton. Em 2009, o fundo comprou indiretamente 29% de participação na companhia de educação brasileira e, em 2013, terminou seu desinvestimento na empresa.

Nos quatro anos em que a Advent investiu na Kroton, o Ebitda da empresa de educação cresceu mais de 1.300%, impulsionado principalmente por uma série de aquisições. O número de alunos foi multiplicado em 12 vezes e o faturamento aumentou seis vezes nesse período.

Para conduzir essa estratégia, a Advent trabalhou com a gerência para criar um departamento de fusões e aquisições dedicado na Kroton, liderado por um ex-membro da equipe de negociações da Advent. “Em nossos quatro anos como investidora, a Kroton fez oito aquisições, incluindo vários negócios transformadores”, diz o fundo em seu site.

Queda do gigante

A venda do controle do Walmart no Brasil para o fundo pode dar um novo ânimo para a operação da rede varejista, que está lutando para alcançar os principais concorrentes, como Grupo Pão de Açúcar e Carrefour.

Com presença no Brasil há 22 anos, o Walmart Brasil possui hoje 438 lojas em 18 estados, com 55 mil funcionários. Nos últimos anos, a companhia encarou dificuldades para operar no país e, dos últimos dez anos, sete foram de prejuízo. Já as concorrentes registraram crescimento e ganho de participação de mercado nos últimos anos.

Apenas em dezembro do ano passado a empresa anunciou a integração de suas operações físicas e digitais, atrasada em relação ao GPA ou Magazine Luiza, por exemplo.

O Walmart vinha buscando compradores para o seu negócio no Brasil e, em janeiro, informou que estava oferecendo sua unidade no país para empresas de private equity como Advent e outras.

Walmart foi assessorado pela Goldman Sachs & Co. LLC, e Advent International pelo Credit Suisse e Euro Latina Finance.

Comentários

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  1. Julia Seibel

    absurdo

  2. Sergio Jose da Silva

    Só o presidente-pinóquio que vê o Brasil avançando.