Companhias se excedem no pagamento de bônus a executivos, diz NYT

Jornal americano acusa empresas de desrespeitar regras de compensação por cumprimento de metas ao concederem bônus a empregados

Nos Estados Unidos, conceder bônus excessivos a executivos tem sido prática recorrente de grandes companhias. Empresas como Halliburton e Las Vegas Sand Corporation estão pagando muito mais do que deveriam na forma de pagamento extra a funcionários graduados, desrespeitando regras estipuladas por suas diretorias, segundo o jornal americano The New York Times.

Na Las Vegas Sands Corporation, que controla hotéis, por exemplo, o presidente e diretor-executivo da companhia, Sheldon G. Adelson, recebeu um total de 3,6 milhões de dólares em salário e bônus em 2005, quase 1 milhão a mais do que deveria ter ganho pelo plano de performance da empresa. O excesso se repetiu com outros quatro executivos da Las Vendas Sands, o que resultou num pagamento indevido de 2,8 milhões de dólares no total. Contestada a respeito do fato, a diretoria da empresa admitiu que houve um erro, mas afirmou que decidiu permitir que os beneficiados ficassem com as quantias por causa da “excelente performance da companhia em 2005”.

A remuneração recebida por executivos disparou nos últimos anos. Defensores dessa escalada dizem que a variação tem sido atrelada à performance da companhia, e por isso é merecida. No entanto, segundo o New York Times, exemplos como o da Las Vegas Sands mostram que os investidores que vasculharem as contas da empresa descobrirão, em grande parte dos casos, que a compensação concedida a executivos supera a quantia definida nas metas de performance.

Na Halliburton, 2005 foi o ano de comemorar um “acontecimento histórico”, segundo a companhia: acordos em processos em que a empresa figurava como acusada. Foi por conta desse desempenho nos tribunais que cerca de 5,5 milhões de dólares foram pagos como bônus a 36 funcionários, quando eles nada mais fizeram do que seu trabalho regular. A diretoria não retornou as ligações para comentar o pagamento, mas uma porta-voz da companhia afirmou que a compensação adicional “foi paga pela quantidade extraordinária de tempo e esforço que esses indivíduos empreenderam, superior ao que é normalmente esperado quanto às responsabilidades de suas funções”.

Para Lucian Bebchuck, professor da Harvard Law School, acionistas devem ficar atentos a aumentos nos bônus concedidos a executivos, até porque cada vez mais empresas estão fazendo o pagamento extra em dinheiro, e não em ações. Ele explica que pagar bônus a executivos sem respeitar planos de metas estipulados pela diretoria é o mesmo que alterar as dimensões de um campo de futebol no meio do jogo. “Flexibilizar os limites é especialmente desconcertante porque muitas vezes as metas não são tão inalcançáveis”, afirma.