Como os tombos do Neymar explicam o baixo resultado da Ambev na Copa

Ambev venderá mais cerveja na Copa 2018, mas não vai faturar mais, segundo relatório do BTG. Entenda o que o Neymar tem a ver com isso.

São Paulo – Ao assistir a um jogo da Copa do Mundo, muitos brasileiros escolhem torcer com uma cerveja na mão. Para a Ambev, que domina quase 70% do mercado brasileiro, o evento é uma grande oportunidade. A Copa é “um verão no meio do inverno”, costuma dizer a fabricante, porque impulsiona o consumo de bebidas geladas assim como os dias mais quentes do ano.

Este ano, a companhia deverá aumentar o volume de cerveja vendida por conta do campeonato esportivo, assim como aconteceu nos últimos anos de Copa. No entanto, o cenário não é totalmente positivo para a companhia, analisa um relatório do BTG Pactual. “Enquanto o volume de vendas pode ter aumento marginal, o impacto no lucro, Ebitda e margem Ebitda é mais controverso”, escrevem os analistas Thiago Duarte e Vito Ferreira do banco.

Os analistas verificaram os números da companhia durante as três últimas Copas do Mundo e perceberam que o evento não foi tão lucrativo assim. Apesar do aumento de volume, houve crescimento nas despesas relacionadas a marketing, promoções e consequente pressão nas margens.

A Copa afeta tradicionalmente as vendas do segundo e terceiro trimestre. Nesses períodos, a companhia costuma investir muito em marketing – a Brahma é patrocinadora oficial da seleção brasileira, o que eleva os custos de vendas.

Além disso, as promoções fizeram com que, nas últimas três edições do evento, os preços nos trimestres da Copa fossem mais baixos em relação aos trimestres em que o evento não aconteceu.

As empresas em geral gostam de fazer promoções na Copa. Essa semana, um bar no Rio de Janeiro divulgou que daria bebida de graça a cada tombo do Neymar no jogo do Brasil contra a Sérvia (que acontece na quarta-feira, 27/06, às 15h). A estratégia pode agradar ao público, mas, pelo que diz o BTG, não dá tanto resultado do ponto de vista financeiro.

mix de embalagens também costuma mudar durante a Copa do Mundo. No caso da última Copa, por exemplo, houve um crescimento expressivo da venda de cerveja em latas em detrimento da venda em embalagens de vidro ou garrafas retornáveis, que tendem a ser mais rentáveis, diz o banco. NaCopa da 2010 esse efeito também foi verificado e comentado publicamente.

Com custos maiores e preços mais baixos, a margem Ebitda da empresa é prejudicada. “Acreditamos que essa Copa do Mundo deverá seguir as tendências as edições anteriores, sem expansão relevante nas margens”, escrevem os analistas.

A inflação – ou ausência dela – também deverá impactar os ganhos da empresa. Como a inflação está ainda mais baixa que nos anos anteriores, os ganhos também devem ser achatados. Outro fator que deve afetar os resultados é a greve dos caminhoneiros, que atrasou os abastecimentos em maio.

“Temos dificuldades em construir um cenário positivo em que a Ambev compensa os investimentos em marketing sazonal e expande sua margem EBITDA no Brasil”, diz o relatório.

Mesmo assim, o banco projeta um crescimento da receita de 47,9 bilhões de reais para 50,5 bilhões em 2018 e uma margem Ebitda de 42,1% para o ano, acima do ano passado.

Comentários

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  1. Jose Wellison

    poxa EXAME, me fala, Como os tombos do Neymar explicam o baixo resultado da Ambev na Copa, não vi relação. Nem mesmo vocês estão falando disso. As pessoas bebem menos porque o neymar cai? Ou você quer dizer que a campanha do Brasil na copa pode influenciar nas vendas? Simplesmente parece uma chamada só para ganhar click. Desculpe.