Como Americanas e B2W irão se unir para tentar disparar em 3 anos

Empresas preveem iniciativas em conjunto como abrir novos centros de distribuição e até um novo modelo de loja digital

A Lojas Americanas e a B2W, que operaram de forma separada apesar de ter os mesmos controladores, irão se unir cada vez mais para impulsionar o crescimento das operações online e offline. Entre as iniciativas feitas em conjunto, as duas empresas irão abrir novos centros de distribuição para acelerar as entregas, fortalecer sua divisão de meios de pagamento e até criar um novo modelo de loja.

Com as iniciativas, a Lojas Americanas prevê alcançar um crescimento de, pelo menos, 40% na receita bruta até 2022 em relação a 2019, de acordo com plano apresentado durante o Dia de Investidores que aconteceu na semana passada.

Já a B2W, responsável pelo comércio eletrônico das marcas Americanas.com, Submarino e Shoptime, prevê mais do que dobrar de tamanho nos próximos três anos. Para isso, ela pretende alcançar 100 milhões de itens em seu sortimento e 150 mil sellers conectados na plataforma do B2W Marketplace. 

A Lojas Americanas existe há 90 anos e a B2W, há 13 anos, criada para unir os sites Americanas.com e Shoptime. A B2W nasceu em 2006 como uma companhia separada devido a um propósito: ser a maior do comércio eletrônico no Brasil. A empresa chegou a dominar 40% do varejo online brasileiro em 2008, fatia superior à da Amazon no varejo americano atual.

Mas o impulso que o Magazine Luiza ganhou com a integração entre os canais nos últimos anos e o avanço do Mercado Livre foram o suficiente para romper com o domínio. Agora, cada vez mais, B2W e Lojas Americanas unem sistemas e malha logística para retomar o espaço perdido.

Novo formato de loja

A Lojas Americanas lançou um novo modelo de loja digital, para testar mercados novos e aumentar a capilaridade do negócio, com baixo  investimento. O alvo são cidades pequenas do interior. A ideia é agregar, em um único lugar, serviços e produtos do mundo online e off-line, além de funcionar como um pequeno centro de distribuição com soluções como Pegue na Loja e Pegue na Loja Hoje. 

Com área média de 70 metros quadrados, o sortimento será mais selecionado, com foco em eletrônicos. Os consumidores também terão acesso a mais de 20 milhões de produtos disponíveis no site Americanas.com, diz a empresa. 

Logística e distribuição

Outra iniciativa para unir os dois canais – e empresas – é a integração dos centros de distribuição. Já são 15 espaços operados pelas duas companhias. Nos próximos anos, para dar suporte ao crescimento, Lojas Americanas e B2W Digital vão abrir sete novos centros de distribuição nos estados do Pará, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. 

Com os novos espaços, as companhias irão ampliar sua capacidade de armazenagem de 640 mil metros quadrados para 1 milhão de metros quadrados. A Let’s, de gestão compartilhada da logística e centros de distribuição da Lojas Americanas e da B2W, realiza 41 milhões de entregas por ano.

A Ame, fintech de meios de pagamento, adquiriu recentemente as empresas Pedala e Courri, especializadas em entregas rápidas por bicicletas e patinetes. As aquisições irão acelerar a Ame Flash, modalidade de entrega em até duas horas, fazendo entregas nos grandes centros urbanos com mais de 800 entregadores conectados. 

Na China

As empresas também preveem expandir para além do Brasil e irão abrir um escritório conjunto na China no primeiro semestre de 2020.

O objetivo é estarem  mais próximas dos fornecedores locais, antecipar tendências de inovação, aumentar a importação de produtos e atrair lojistas parceiros para a Americanas Mundo, a operação de cross border da Americanas.com. As companhias esperam também desenvolver e captar talentos para essa oportunidade de trabalho internacional.

Crescimento, mas com concorrência

Se em 1999 as duas empresas alcançavam 26% da população com 90 lojas em 39 cidades, em 2019 chegaram a mais de 1.600 lojas e mais de 700 cidades, com 224 inaugurações no último ano.

O volume geral de vendas, que em 1999 era de 1,5 bilhão de reais, chegou a 30,7 bilhões de reais nos últimos 12 meses. As duas empresas têm 38 milhões de clientes ativos juntas. Até 2022, as companhias esperam alcançar 46 milhões de consumidores e realizar 552 milhões de transações.

Nos nove primeiros meses de 2019, a companhia teve um volume geral de vendas de 21 bilhões de reais, incluindo vendas das lojas físicas, da B2W e de seu marketplace, crescimento de 15,5% em relação ao ano anterior.

Já o Magalu chegou a 18,3 bilhões de reais em vendas totais no mesmo período, crescimento de 33% em relação a 2018, e a Via Varejo reportou receita bruta de 20,97 bilhões de reais nos três primeiros trimestres do ano, queda de 4,8%.

As concorrentes também investem na integração entre os canais. A Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, unificou os sistemas online e offline em julho deste ano. 

Recentemente, o Magalu anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia para o varejo Linx que permitirá a retirada de produtos comercializados por terceiros nas plataformas de venda online do Magalu direto na loja física do vendedor. O marketplace da varejista conta com 11 mil vendedores e essa modalidade é responsável por 26% de todo seu faturamento em e-commerce.

O Mercado Livre, que não possui lojas físicas, investe fortemente no país e irá desembolsar mais de 3 bilhões de reais no Brasil no próximo ano, com foco em serviços financeiros e logística. 

Para Lojas Americanas e B2W, a união entre os canais físicos e digitais chega em um momento essencial para a empresa recuperar sua relevância.