Como antecipar recebíveis em menos de duas horas

Nova fintech nasce no Brasil para ser uma solução de desconto de duplicatas com foco em micro, pequenas e médias empresas

Dados do Banco Central mostram que a antecipação de recebíveis está crescendo no Brasil. O volume movimentado pelo segmento em maio deste ano foi de 16,7 bilhões de reais, 61,7% maior do que o registrado no mesmo período de 2016. Esse aumento acontece num momento em que a população tem voltado a consumir e os empresários estão tomando mais crédito com o retorno do crescimento econômico, mesmo que tímido.

O executivo paulistano Alexandre Góes tem uma espécie de missão com o empreendedorismo brasileiro, principalmente nessa fase de leve retomada econômica. “Estamos num momento em que os pequenos empresários precisam de dinheiro, ainda mais com o pagamento do 13º salário e as férias chegando”, diz o executivo. “E estamos aqui para ajudá-los.”

Ele, por meio da fintech TrustHub, quer ajudar pequenas indústrias, atacadistas e distribuidores a terem mais tranquilidade para tocar o negócio. A empresa, que estreou no mercado em novembro, chega para ser uma solução no segmento de antecipação de recebíveis para PMEs – ou seja, para facilitar empréstimos condicionados a um pagamento futuro de um cliente.

Góes sabe das dificuldades dos pequenos empreendedores. Durante cinco anos, ele foi sócio de uma academia com a sua esposa. O negócio ia bem, mas sofria com um problema que aflige qualquer pequeno e médio empresário: o fluxo de caixa. No caso das academias, há uma série de alunos que contratam planos anuais, mas os pagamentos são feitos mensalmente. Isto é, trata-se de uma receita certa, porém futura. O dinheiro, no entanto, muitas vezes precisa estar no presente.

Daí a importância de empresas adotarem a antecipação de recebíveis. As opções, contudo, eram por meio de grandes bancos e suas conhecidas burocracias. Algo demorado para casos urgentes. “A ideia da TrustHub é que seja uma tarefa muito fácil de ser realizada e tudo online”, diz Goés. “Em menos de duas horas, a análise das duplicatas é feita e o dinheiro entra na conta no mesmo dia.”

Essa análise é feita de maneira totalmente digital, pois a TrustHub usa ferramentas da SRM (adaptadas ao pequeno varejo), empresa controladora da fintech e que é gestora e administradora de fundos de investimento com escritórios espalhados por Brasil, Chile e Peru. A SRM está acostumada com esse tipo de serviço, mas para empresas de grande porte, com vendas acima dos 50 milhões de reais ao ano. Por isso, a TrustHub se tornou um braço voltado para micro, pequenos e médios negócios.

O conceito e o trabalho de controladora e controlada são os mesmos, mas algumas especificações da TrustHub diferem das da SRM. Nem as taxas escolhidas têm a participação humana. Tudo é definido pelas máquinas. Uma preocupação da TrustHub, no entanto, é que sejam valores competitivos. De acordo com Góes, a cobrança é bem atraente, variando pela qualidade do cliente e do pagador.

O que vai definir o tamanho da fatia que será cobrada pela fintech é o histórico dos envolvidos no negócio. Se o fornecedor e o comprador, por exemplo, tiverem acima de cinco anos de fundação, sócios com CPFs sem restrições, endereços estabelecidos há tempos e atuarem em um mercado de grande fluxo, a taxa tenderá a ficar a menor possível. A meta da fintech é ser uma alternativa também aos pagamentos com cartão de crédito, que levam cerca de um mês para serem creditados na conta do empresário. Algo que pode significar o futuro do negócio de uma PME.

Planos futuros (e internacionais)

A TrustHub espera encerrar o ano de 2017 com 15 000 operações realizadas. E, mesmo com pouco tempo de atuação, já existem clientes fiéis. Um dono de restaurantes de São Paulo, por exemplo, fez a antecipação de cinco notas em menos de uma semana. “Esse empresário não acreditou quando o dinheiro caiu em 47 minutos em sua conta”, diz Góes.

A partir dos resultados de 2017, os planos de expansão serão acelerados. Uma rápida ampliação dos negócios para outros países, por exemplo, não é descartada. Como a SRM também está presente em países sul-americanos, a aposta internacional ficaria mais facilitada. O Peru, aliás, seria o primeiro alvo.