Como a IMX de Eike trouxe Rafael Nadal para jogar no Brasil

Negociações para realizar o Rio Open começaram antes da crise do grupo X e investimento foi de R$ 25 milhões. Torneio estreou hoje

São Paulo – Começou hoje o Rio Open, maior torneio de tênis da América Latina e o responsável por colocar o Brasil pela primeira vez como sede de um dos 20 campeonatos mais importantes do esporte. O que pouca gente lembra é que o evento, que vai até dia 23 de janeiro, não teria sido possível sem uma das empresas de Eike Batista.

A IMX, empresa de marketing e eventos controlada por Eike, investiu 25 milhões de reais para trazer o evento ao Brasil.

Parte do dinheiro foi direcionada para os prêmios dos atletas. O Rio Open se enquadra no selo ATP 500, que dá ao campeão 500 pontos no ranking e distribui um prêmio de 1,25 milhões de dólares aos jogadores.

Para as mulheres, serão 250 mil dólares, porque se trata de um torneio de importância inferior para elas. O valor e a importância para eles atraíram ao torneio grandes nomes do esporte, como Rafael Nadal e David Ferrer, respectivamente os números 1 e 4 do ranking.

O restante foi utilizado para a compra dos direitos da franquia e despesas do evento. O tamanho do evento atraiu patrocinadores como a Claro hdtv, que dá nome ao evento, e empresas como a Rolex, o Itaú, a Peugeot, a TAM, a Corona e a Amil.

Foi necessário mais de um ano de negociações. Em abril de 2012, a IMX comprou os direitos pela data de Memphis, um torneio composto por um ATP 500 e um WTA International.

Depois, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e a Women’s Tennis Association (WTA) aprovaram a mudança do campeonato para o Rio de Janeiro. Mas só em fevereiro de 2013 foi confirmada a vinda do evento para a cidade. Por enquanto, os jogos vão acontecer no Jockey Club Brasileiro, mas, quando as obras estiverem prontas, eles passarão para o complexo olímpico de tênis, que está sendo construído para as Olimpíadas de 2016.

Esporte e entretenimento

A IMX faz parte de uma joint venture com a IMG, uma das maiores organizadoras de torneios de tênis no mundo. Para se ter uma ideia, ela organiza dois dos quatro Grand Slams – torneios mais importantes do mundo -, o Australia Open e Rolland Garros, e cuida da carreira de nomes como Roger Federer, Djokovic e Maria Sharapova.

No Brasil, a empresa de Eike está envolvida em eventos culturais como o Cirque de Soleil e o Rock in Rio, esportivos como o UFC e o torneio de Golf, e no gerenciamento de carreira de atletas como Neymar, os velejadores Torben e Lars Grael e a saltadora Mauren Maggi.

No ano passado, respingos da crise X atingiram a empresa, o que levou Eike a vender parte da empresa que criou com a IMX e Roberto Medina para gerenciar o Rock in Rio, a Rock World. Agora, em vez de 50% da organizadora, a IMX é dona de 20%.

Com o Rio Open, a IMX confirma sua intenção de investir em eventos de longo prazo, que promovam o esporte no país e se tornem parte do calendário da cidade – como já é, por exemplo, a Fórmula 1 em São Paulo e está virando o UFC no Rio de Janeiro.

Resta saber se, com a saída forçada de Eike dos (bons) holofotes, a empresa conseguirá continuar neste caminho.