Com negócio nas cordas, Emílio Odebrecht depõe em CPI do BNDES

A Caixa executou garantias de dívida do grupo, o que levou a empreiteira à maior recuperação judicial da história do país

O cenário é dos mais difíceis para a Odebrecht, uma das maiores empreiteiras do país. Depois de o conglomerado ter sido levada a pedir a maior recuperação judicial da história do Brasil, dois de seus principais nomes da empreiteira, que acumula dívidas na casa dos 90 bilhões de reais, irão prestar depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do BNDES.

De acordo com a ordem do dia da Câmara, a sessão desta quarta-feira, 3, terá início às 14h30 e interrogará o controlador da empreiteira, Emílio Odebrecht, além do ex-diretor da empresa, Maurício Ferro. A CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi instalada para investigar supostas irregularidades em contratos celebrados pelo banco entre 2003 e 2015. De lá para cá, outros executivos da Odebrecht já falaram aos parlamentares da comissão, mas esta será a primeira vez que a principal cabeça do grupo vai depor na CPI. 

Os depoimentos desta quarta-feira serão colhidos em um dos momentos mais delicados da história da Odebrecht. No mês passado, a Caixa Econômica Federal decidiu executar garantias de dívida que tem com o grupo por empréstimos feitos pela empreiteira para a construção do estádio do Corinthians, o Itaquerão. Após golpe, a empresa não viu outra alternativa a não ser pedir recuperação judicial. 

Erguido com financiamentos da Caixa, o Itaquerão, a princípio, custaria cerca de 825 milhões de reais, mas o valor subiu para 985 milhões de reais quando a Arena foi escolhida para abrir a Copa do mundo de 2014. Para construir o estádio, a Odebrecht pegou empréstimo com o BNDES por meio da Caixa, em valores que hoje são de 460 milhões de reais. Apesar do financiamento público, o estádio é privado e pertence ao Corinthians, mas o clube não consegue pagar a dívida para a Odebrecht. Com os juros, o valor devido já passa de 1 bilhão de reais. 

Para piorar ainda mais a situação da família Odebrecht, também no mês passado o Tribunal de Contas da União aprovou o bloqueio de cerca de 1 bilhão de reais em bens e ativos financeiros de Emílio Odebrecht e seu filho, Marcelo. A determinação tem por objetivo garantir o ressarcimento aos cofres públicos pelos danos causados pelo grupo. Na avaliação de executivos da empreiteira, foi a má reputação da empresa, e não o risco financeiro, que fez a Caixa executar garantias relacionadas ao estádio Itaquerão. Nesse cenário conturbado, a dúvida que fica entre os controladores e executivos do grupo é se as delações na Lava-Jato valeram a pena.