Com mais lojas no interior, CVC irá vender passagens de ônibus

O novo modelo de negócio permite que cada consumidor opte por transporte rodoviário ao criar seu próprio pacote de viagens

A operadora de viagens CVC começará a vender viagens de ônibus, para atender uma demanda crescente vinda do interior do país. Em parceria com a ClickBus, site de vendas de passagens rodoviárias, irá oferecer bilhetes avulsos de mais de 140 companhias que operam cerca de 4.600 trechos rodoviários pelo Brasil.

As viagens de ônibus correspondem, atualmente, a 7% das vendas da CVC, mas fazem parte de pacotes fechados, com ônibus fretados e acompanhamento de guia turístico. O novo modelo de negócio permite que cada consumidor opte por transporte rodoviário ao criar seu próprio pacote de viagens. 

Apesar da pouca representatividade, a procura por viagens de ônibus saltou 49% nas lojas da operadora entre janeiro e junho deste ano. A companhia teve, no primeiro semestre do ano, reservas confirmadas de 7,5 bilhões de reais, alta de 20,6%, e receitas de 801 milhões de reais no Brasil. crescimento de 14,2%. 

A alta, diz Claiton Armelin, diretor de produtos, e idealizador do projeto, é impulsionada principalmente por pessoas buscando alternativas mais baratas para uma segunda viagem anual e aproveitar os feriados, e não por conta do aumento dos preços das passagens aéreas ou pela crise econômica. A novidade chega em um momento de redução das opções de viagens aéreas, com o fim da Avianca Brasil. 

As viagens são voltadas para pessoas que querem viajar para cidades próximas. Sobre o tempo maior de deslocamento em relação ao transporte aéreo, Armelin afirma que o público que opta pela viagem de ônibus está de olho no custo-benefício. “Quem compra esse pacote tem tempo de férias, não é o cliente corporativo que tem urgência de chegar no destino em poucas horas”, diz. 

Segundo o diretor, a ClickBus já tem uma plataforma consolidada e expertise nesse tipo de venda. Mesmo assim, a CVC precisou se reunir com diversas empresas rodoviárias para ajustar detalhes, como o tempo de antecedência das vendas. Normalmente, as empresas abrem as vendas 90 dias antes da viagem, mas na CVC a procura começa muito antes, às vezes com até um ano de antecedência. 

Para cidades do interior

Parte do aumento da demanda por passagens de ônibus também tem relação com a expansão da própria CVC. A companhia, que há dois anos estava em 300 cidades com pelo menos 300 mil habitantes, hoje chegou a 470 municípios com pelo menos 30 mil habitantes. A empresa passou de 1.095 lojas abertas para 1.300 desde 2017, além da rede com 6.500 agências multimarcas parceiras no Brasil. 

Assim, muitas das lojas da agência de turismo estão distantes das grandes cidades e dos principais aeroportos do país. São mais de 5 mil municípios no Brasil, mas apenas 65 aeroportos em funcionamento no país.

“Pensando na extensão da CVC, a ideia é trazer um turismo mais acessível para as cidades menores. Existem as rodoviárias e existe o desejo de viajar, unimos os dois”, afirma o diretor.

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Retorno às origens

O projeto retoma as origens da companhia, fundada há 47 anos em Santo André para oferecer pacotes principalmente aos funcionários das montadoras da região do Grande ABC. O foco eram as viagens principalmente por meio de excursões, em que a companhia organizava todo o roteiro, dos meio de transporte aos passeios e acomodação.

Nas décadas seguintes, as passagens aéreas ficaram mais acessíveis e os modelos de viagem mudaram. Ao invés de optar por um pacote fechado, mais de 90% das compras feitas nas lojas e no site são customizadas, em que o cliente escolhe o voo, hotel e passeio, incluindo ainda serviços como transfer ou seguro viagem.

“Com o aumento das companhias aéreas de baixo custo, o transporte rodoviário foi deixado de lado”, afirma o diretor. A CVC continuou a trabalhar com viagens de ônibus, mas apenas em pacotes fechados, em que freta um ônibus para levar os passageiros de uma excursão, com acompanhamento de guia.

A volta às origens das viagens de ônibus está mais moderna, diz Armelin. As estradas estão em condições melhores e os ônibus, mais confortáveis. Há wifi a bordo e nenhum custo pelas bagagens, como no caso das viagens de avião.