Com investimento de US$ 22 bi, Asahi cria império da cerveja

"Estamos expandindo com o objetivo de ser o número 1 no segmento de cerveja premium em todas as áreas geográficas em que temos negócios”, disse Koji

O empresário com maior apetite por aquisições no Japão em 2019 tem uma coisa em mente: cerveja e mais cerveja, com investimento superior a US$ 20 bilhões nos últimos quatro anos.

Não importa que as pessoas estejam bebendo menos globalmente: a expectativa é de que o consumo mostre pouco ou nenhum crescimento nos próximos anos. Além disso, outras cervejarias tentam diversificar as operações. Mas o CEO da Asahi Group Holdings, Akiyoshi Koji, está dobrando as apostas no mercado de cerveja como estratégia de sobrevivência.

“Estamos expandindo com o objetivo de ser o número 1 no segmento de cerveja premium em todas as áreas geográficas em que temos negócios”, disse Koji, 67 anos. “O mundo é o nosso mercado”, acrescentou em entrevista. A outra obsessão do CEO é tornar a Super Dry, que estreou no final dos anos 80 e ajudou a transformar a Asahi na maior cervejaria do Japão, em uma marca global de cerveja.

Enquanto outros grandes fabricantes de cerveja se deslocam para regiões de alto crescimento, como China e Sudeste Asiático, ou exploram negócios potencialmente lucrativos, como produtos derivados de cannabis, a Asahi está em meio a uma onda de compras de cervejarias em todos os cantos do mundo, mais recentemente na Europa e na Austrália.

Koji tem sido a força motriz por trás de mais de US$ 20 bilhões em aquisições nos últimos quatro anos – incluindo a maior compra já realizada em julho, quando a empresa pagou US$ 11 bilhões pela cervejaria Carlton & United Breweries, com sede em Melbourne. As aquisições quase dobraram o valor de mercado da Asahi e a colocaram entre as maiores fabricantes de cerveja do mundo em menos de cinco anos.

A onda de compras provocou ceticismo entre analistas. Em dois negócios fechados com a Anheuser-Busch InBev – ativos da Europa Central e Oriental em 2017 e marcas australianas como Victoria Bitter no início do ano -, a empresa pagou cerca de 15 vezes o Ebitda, de acordo com cálculos da Bloomberg. A mediana para nove aquisições de cervejarias anunciadas em todo o mundo nos últimos cinco anos é de apenas 10 vezes o Ebitda.

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Koji, que começou a trabalhar na Asahi há 44 anos como assalariado, cita frequentemente a Heineken como o tipo de cervejaria global que a Asahi aspira ser. Mas a Heineken entrou nos mercados globais décadas atrás, quando o apetite por cervejas importadas e exóticas estava em alta. Agora, consumidores mais jovens preferem cervejas artesanais locais e bebidas com menos calorias, ou até optam por bebidas com maconha para relaxar, sem ressaca. É por isso que a Euromonitor prevê que o volume de consumo de cerveja crescerá a uma taxa média anual de apenas 1,4% nos próximos cinco anos.

“A grande maioria dos mercados maduros está atingindo os limites do potencial de crescimento”, disse Spiros Malandrakis, chefe de pesquisa de bebidas alcoólicas da Euromonitor. “Acho que a era das megamarcas globais que podem manter o valor da marca por longos períodos desaparecerá com a geração dos millennials.”

Koji diz que o segmento premium – cervejas com preços mais altos – ainda tem espaço para crescer em comparação com o setor em geral. A consolidação é a única maneira de se expandir em uma indústria global de cerveja já madura, argumentou, observando que o valor pago pela Carlton & United “não foi tão caro”, considerando o crescimento da população no continente.

Uma razão pela qual a Asahi conseguiu comprar tantas marcas famosas de cerveja é a disposição do CEO de tomar decisões rápidas. Ele também criou um canal com o presidente da AB InBev, Carlos Brito, que tem vendido ativos para reduzir o endividamento.

Koji afirma que a Asahi pode crescer em casa e no exterior. Seu foco no Japão é melhorar a rentabilidade, em vez de tentar aumentar o consumo em um país onde a população em declínio se traduz em menor número de pessoas que tomam bebidas alcoólicas.