Com crise brasileira, Volkswagen exporta ônibus feitos aqui

Com sede no Brasil, a Volkswagen Caminhões e Ônibus expandiu suas exportações e hoje as vendas para outros países respondem por quase 40% dos resultados.

São Paulo – A crise econômica no Brasil fez com que muitas indústrias voltassem seus olhos para o mercado externo. Uma delas foi a de caminhões.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus, cuja sede fica no Brasil, expandiu suas exportações no último período e hoje as vendas para outros países respondem por quase 40% dos resultados da companhia. Em 2016, a fatia era bem menor: de 15%.

“O primeiro trimestre deste ano foi um dos melhores de nossa história. A indústria cresceu 28% nas exportações e nós crescemos 65%. Só em ônibus, o crescimento foi de 110%”, comemora Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, fabricante dos caminhões e ônibus Volkswagen no Brasil.

Para se ter uma ideia, de um faturamento líquido anual da ordem de 3,5 bilhões de reais, as exportações devem responder por cerca de 1 bilhão de reais este ano.

Dentre os mercados com maior presença de ônibus e caminhões feitos no Brasil pela Volkswagen estão Argentina, México, Chile, Peru e países africanos, como Nigéria e África do Sul.

A estratégia da fabricante para conquistar esses mercados é personalizar os produtos. “No México, por exemplo, lançamos um ônibus específico para a necessidade local. Lá eles estão acostumados com ônibus de motor avançado, então a frente do ônibus é mais nariguda, diferente do que vemos no Brasil”, explica Cortes.

No total, a Volkswagen Caminhões e Ônibus exportou 2.885 produtos no primeiro trimestre de 2018. Em parte desses mercados, a fabricante exporta o chassi do Brasil e faz a montagem no destino final, como é o caso do México, onde a empresa tem uma fábrica própria para montagem.

País Unidades exportadas
Argentina 927
México 603
Chile 423
Peru 349

Para Cortes, os números são importantes pois mostram que a fábrica já não depende tanto do mercado brasileiro. Outro ponto de destaque é o fato de se tratar de uma exportação mais qualificada. “É o Brasil exportando caminhões, não estamos exportando açúcar”, resume.

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