Com Apple e Netflix na mira, Disney se arma para sair das cordas

Produtora de conteúdo trabalha na compra da Fox e prepara seu próprio serviço de streaming

O grupo de entretenimento Disney divulga nesta terça-feira, 5, os resultados de seu primeiro trimestre fiscal de 2019 com os dois olhos no futuro próximo. A companhia norte-americana publica os números em meio ao processo de compra da produtora de conteúdo Fox e do desenvolvimento do seu próprio serviço de streaming, o Disney+.

A empresa anunciou a compra da Fox em dezembro de 2017, em um negócio avaliado em mais de 50 bilhões de dólares (o valor de mercado atual da criadora do Mickey é de 165,91 bilhões). A estimativa anunciada a investidores é que a fusão aconteça até o mês de junho. Antes prevista para janeiro, a consolidação da compra enfrenta alguns obstáculos.

É um negócio que mexe com o mercado de entretenimento em diversos países. No Brasil, por exemplo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) exige que, com a compra, a Disney se desfaça de canais esportivos. Isso acontece porque a fusão deixaria ESPN (pertencente à Disney) e a Fox Sports — dois dos maiores canais esportivos da TV por assinatura do país — com um mesmo dono. O objetivo do Cade é evitar que a qualidade e a variedade do conteúdo esportivo caiam e que o custo aumente.

Já o Disney+, serviço de streaming que concorrerá diretamente com a Netflix, uma prévia deve ser mostrada aos investidores no mês de abril. O serviço deve chegar ao mercado até o fim do ano. A Apple, gigante de tecnologia, também deve lançar a sua própria plataforma de reprodução de filmes e séries ainda este semestre. Nesta segunda-feira, um relatório do banco JP Morgan voltou a especular a aquisição da Netflix pela Apple, num negócio de 189 bilhões de dólares que colocaria ainda mais pressão sobre a Disney.

A previsão de investidores em meio a essas novidades é que a Disney anuncie um faturamento de 15,07 bilhões de dólares, valor cerca de 5,3% maior que os 14,31 bilhões do trimestre anterior e 1,8% menor que os 15,351 bilhões do mesmo período de 2018. Os lucros devem cair 17%, mostrando o tamanho dos desafios da companhia.