Focada em nuvem, SAP dribla crise e cresce na América Latina

Mesmo com os desafios macroeconômicos, as receitas com software e soluções em cloud computing cresceram dois dígitos no segundo trimestre

São Paulo – Com a aposta em computação em nuvem, a SAP tem impulsionado seus negócios na América Latina.

Apesar dos desafios macroeconômicos enfrentados na região, em especial no Brasil, as receitas com software e soluções em cloud computing cresceram dois dígitos no segundo trimestre.

A empresa alemã não abre os números locais exatos, mas, globalmente, as vendas para o segmento aumentaram 11%.

“A nuvem é uma tendência. Porque sua implementação é rápida e não depende de Capex (dinheiro gasto com compra de bens, por exemplo), só existe o custo da operação. Ela também permite a gestão de muitas áreas diferentes em um só lugar”, diz o presidente da SAP América Latina, Claudio Muruzábal.

Segundo ele, ao optar por esse tipo de serviço, o cliente acaba economizando no longo prazo.

De acordo com um levantamento da consultoria IDC, ao menos 40% dos gastos corporativos com TI estarão centrados em nuvem até 2018.

No Brasil, uma das corporações que abraçaram essa tecnologia foi a Cielo, que passou a usar a solução SucessFactors, da SAP. Por meio dela, a empresa vai gerenciar pagamentos, planos de carreira e outras ferramentas de RH.

Nichos de mercado

No país, o setor financeiro foi um dos que mais contrataram os produtos e serviços da SAP. As vendas para esse nicho cresceram três dígitos.

Um dos clientes é o Itaú, que adotou a solução SAP HANA, plataforma de big data que processa informações em tempo real.

“Assim, o banco vai atender melhor os correntistas no mundo digital”, afirma Muruzábal.

Tempos ruins?

Em épocas de crise, é comum que as empresas busquem soluções tecnológicas para cortar custos e se manterem competitivas.

“O melhor exemplo disso é o nosso crescimento em um cenário que não é favorável”, diz o executivo.

Análises publicadas pela SAP em seu balanço semestral preveem que os gastos com TI devem crescer 1,5% no mundo todo neste ano, mas, na América Latina, eles devem encolher 0,8%.

A queda, segundo o documento, “pode ser atribuída ao declínio da confiança nos negócios em alguns países da região – mais particularmente, no Brasil”.

A longo prazo, porém, a expectativa é de que os investimentos na área voltem a ganhar força por aqui, com eventual aumento de 2,7% em 2020. Os números foram estimados pelo Gartner Group.

Muruzábal não se arrisca a traçar um cenário para a retomada da economia brasileira, mas diz que a SAP “está comprometida com o desenvolvimento das empresas do país, desde as grandes até as pequenas”.

Resultado

No mundo todo, o faturamento da SAP foi de 9,9 bilhões de euros no primeiro semestre, um salto de 5% sobre igual intervalo de 2015.

Desse total, 8,2 bilhões vieram das receitas com nuvem e software, os produtos que mais crescem.

O lucro líquido chegou a 1,3 bilhões de euros, aumento de 57% na mesma comparação, e a margem operacional foi de 20,9%.

Já quando recortado apenas o segundo trimestre, as receitas somaram 5,2 bilhões de euros, aumento de 5% ante os mesmos meses do ano anterior.

O lucro líquido chegou a 813 milhões de euros no período, expansão de 2%.