China deve impulsionar resultados da JBS, em alta na bolsa

Nos últimos seis meses as ações da companhia valorizaram 50%, apesar dos escândalos envolvendo seus controladores

A fabricante de alimentos JBS tem frequentado o noticiário mais em virtude dos escândalos de corrupção envolvendo seus controladores, a família Batista, que pelos resultados operacionais. Mas resultados trimestrais a serem apresentados nesta quinta-feira, 28, devem mostrar que a continua tudo bem com a maior processadora de carne bovina do mundo.

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No trimestre anterior a JBS divulgou aumento de 20% no faturamento, para 49 bilhões de reais e de 23% na geração de caixa operacional. Nesta quinta-feira, a boa fase deve ser mantida graças ao contexto internacional, sobretudo da carne de porco. Nos últimos seis meses as ações da companhia valorizaram 50%. Ainda assim, os papeis continuam no mesmo patamar de três anos atrás.

A escalada de preços da carne de porco na China tem ajudado as ações da JBS a se valorizarem nas últimas semanas. Por causa da contaminação dos animais pela chamada febre suína africana, houve queda de quase um quarto do estoque vivo, o que tem pressionado para cima o valor dos papéis e ativos de grandes frigoríficos.

Nesse sentido, a expectativa é de que a marca Seara se beneficie do cenário internacional, de acordo com relatório Thiago Duarte e Henrique Brustolin, analistas do BTG Pactual, em relatório. Nesta quinta-feira (28), a JBS divulga o balanço financeiro da JBS referente a 2018 depois do fechamento do mercado.

Atualmente, a China representa cerca de 22% dos 14 bilhões de dólares que a JBS tem ao redor do mundo. “Isso equivale a cerca de 11,7 bilhões de reais em receitas por ano de venda de carne de porco, aves e carne para a China. Com isso, cada aumento de 10% na média de preços de proteína representa um acréscimo de 1,17 bilhão de reais em receita que acreditamos deve fluir diretamente para o Ebitda da empresa, tudo o mais igual”, escrevem os analistas.

A XP Investimentos, por sua vez, preferiu reduzir sua participação de 15% para 10% em ações da JBS, mesmo tendo mantido a recomendação de “compra” para as ações. Para Betina Roxo, muito players vão competir pelas mesmas valorizações e cobrando spread de 12,6%, segundo cálculos da corretora.