Chame o síndico

Democracia no trabalho

Outubro é mês de disputa eleitoral na Serasa. Munidos de cartazes e santinhos, os candidatos fazem política à moda antiga, no corpo-a-corpo com seus colegas de trabalho. Em jogo, a eleição para o posto de prefeito. Em 2003, apenas no edifício-sede da companhia, na zona sul paulistana, mais de 30 postulantes concorrem às 12 vagas de burgomestre.

Na Serasa, o prefeito é uma espécie de síndico setorial, cuja missão é zelar pelo bom ambiente de trabalho em seu andar, bloco ou agência. Uma lâmpada queimou? A descarga está vazando? Perdeu a foto do seu cachorrinho de estimação? Apele ao prefeito. Além de garantir a rápida execução de serviços rotineiros, os prefeitos também são responsáveis por levar sugestões dos colegas de área ao departamento de engenharia. A ação pode resultar em obras estruturais, seja para aumentar a segurança do edifício, seja para aprimorar o já notável acesso a portadores de deficiência física.

Na Serasa, prefeito não é cargo nem função, tampouco garante estabilidade no emprego. O que explica, então, o desejo de exercer uma atividade que não rende um centavo a mais no salário? “Minha motivação é ajudar as pessoas”, afirma o analista de formulários Nelson Alessandro dos Santos, em busca de seu quarto mandato consecutivo. Para Santos, a experiência também pode ser útil para a carreira. “Participamos de reuniões com diretores e conhecemos pessoas de outras áreas, o que às vezes funciona como trampolim para uma promoção.”

Outro aspecto valorizado pelos aspirantes a síndico é o treinamento. “A gente aprende muita coisa”, diz o garçom José Jair de Assis, prefeito por oito anos da área na qual circula Elcio Aníbal de Lucca, o presidente da Serasa. “Fazemos cursos de primeiros socorros, aulas de redação e recebemos noções de qualidade.” O reforço à filosofia de qualidade da empresa foi um estímulo para a criação da função. “A prática contribuiu para facilitar o acesso às informações e para estimular o trabalho em equipe, o que ajuda a disseminar valores éticos”, diz João Alfredo Gugliotti, gerente de desenvolvimento humano da Serasa.

O posto de prefeito nem sempre despertou interesse nos funcionários. “No início, o prefeito era visto como mero bajulador”, diz o garçom Assis. “Hoje, por causa do êxito do nosso trabalho, todo mundo quer se candidatar.” Assis, que exerceu o mais longo mandato entre os prefeitos da Serasa, decidiu pendurar as chuteiras no ano passado. “Abri mão da candidatura para dar espaço aos mais jovens”, diz.