Cemig negocia novos sócios para a Light

O presidente da Cemig, Mauro Borges, comentou que "a Light é uma noiva muito cobiçada"

São Paulo – A Cemig está atualmente em negociação avançada com potenciais novos sócios para a Light.

O presidente da Cemig, Mauro Borges, comentou que “a Light é uma noiva muito cobiçada” e indicou que entre os interessados estão companhias de grande capacidade financeira e tecnológica.

“Tem tratativas com vários potenciais novos sócios, uma vez que os bancos declararam que não desejam continuar na sociedade”, disse, referindo-se ao fato de que o Redentor Fundo de Investimentos em Participações (FIP Redentor) já notificou a companhia do exercício da opção de venda das ações que detém na Parati (Participações em Ativos de Energia Elétrica).

Borges admitiu, porém, que a tendência é a companhia efetuar a liquidação dessa opção, o que resultará em um desembolso na casa de R$ 1,7 bilhão para a Cemig, para depois concluir a operação de entrada de um novo sócio.

“Mas esse pagamento pode estar vinculado a um M&A (fusão e aquisição, na sigla em inglês), de vinda do terceiro sócio”, explicou. “Até porque a Cemig não tem nenhuma intenção de estatizar a Light”, acrescentou.

Ele salientou que, a priori, a estatal mineira pretende manter sua fatia atual na Light, de 33%, considerando sua participação direta e indireta, e que a intenção é manter controle da gestão, mas indicou que estão em discussão modelos societários e de governança diferentes.

Borges lembrou que no plano estratégico de negócios ficou estabelecido que a Cemig só vai ficar em ativo em que tiver controle da gestão ou a cogestão.

“Este é o DNA da companhia, nós não somos companhia financeira, somos uma companhia de energia no sentido estrito do termo”, disse.

Este é o caso justamente da participação da Cemig nas hidrelétricas de Santo Antonio e Belo Monte, por meio de suas concessionárias Mesa e Norte Energia, respectivamente.

“Nesses dois ativos temos duas possibilidades: a alienação desses ativos ou a reestruturação societária desses ativos de tal forma que possamos ter participação na gestão da empresa. Do jeito que está, não vai continuar”, disse.

“Se a estruturação societária for a melhor solução, vamos caminhar para ela, se for a alienação do ativo, e concentrar em outras atividades de geração, também é uma possibilidade, não está descartada”, acrescentou.

O executivo avaliou, porém, que por serem grandes usinas, com grande fluxo de caixa futuro, têm grande capacidade de atração de novos investidores.

“É um negócio de grande porte, então consideramos que esses dois ativos são bastante importantes na reestruturação que estamos pensando da companhia”, disse.

Alavancagem

A taxa de alavancagem da Cemig “está começando a cair”, disse Mauro Borges. A relação era de 5,26 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ao final de junho, maior que a de 4,39 vezes em março.

Em meio a um alto endividamento, que chegou a R$ 12,9 bilhões em dívida líquida consolidada, a Cemig está vendendo ativos e buscando ganhos de eficiência para melhorar seus indicadores.

Ele lembrou a recente venda de fatia que a companhia tinha na Transchile Charrúa Transmisión S.A, por US$ 56,55 milhões.

“A condição de valuation e preço foi extremamente vantajosa para a Cemig e era um ativo fora do país, não tinha sinergia com outros de transmissão no Chile, era o único ativo que tínhamos e ajuda a desalavancar a Cemig”, comentou.

A venda de ativos, frisou, tem o claro objetivo de desalavancar a companhia. “Temos muitos ativos, felizmente, e é preciso pensar um plano de negócios hoje que envolva uma forte redução do endividamento líquido”, disse Borges.

O executivo salientou, porém, que a companhia não vai fazer um leilão de ativos. “Não nenhum desespero para queimar ativos, se for para vender, vamos vender muito bem vendido, se for para trazer um novo sócio, vamos trazer em condições vantajosas para todos”, disse.

Borges citou também outras operações financeiras que estão para ocorrer, como a oferta subsequente de ações (follow on) da Taesa, depois que a companhia já anunciou que pretende de se desfazer de ações que não fazem parte do bloco de controle.

“Mas temos outros eventos também”, acrescentou, comentando que o ambiente institucional brasileiro atrasou as atividades de fusão e aquisição no país, impactando também a Cemig.

“Uma vez que essas incertezas vão diminuindo, a facilidade para estruturação dessas operações de M&A aumenta.”

Ele citou que o custo operacional da distribuidora é muito acima do regulatório, e que isso será zerado. “Só isso aí é meio bilhão de reais”, disse.

De acordo com ele, os ganhos de eficiência que estão sendo buscados pela companhia vão gerar economias que resultarão em Ebitda adicional da ordem de R$ 1 bilhão por ano. Segundo o executivo, “algum ganho” será observado já em 2016.