CEF está de olho no mercado internacional

A Caixa Econômica Federal está de olho no mercado internacional. O grande banco de varejo federal planeja lançar um eurobônus e captar dólares no exterior, além de realizar uma operação internacional de securitização (venda de títulos garantidos por ativos). “A Caixa viveu fechada para o mundo durante muito tempo”, disse Valdery Albuquerque, presidente do banco, em uma entrevista coletiva em São Paulo.

“Agora precisamos aumentar nossa transparência, nossa visibilidade, melhorar os resultados e buscar reconhecimento no mercado internacional.” Além de divulgar formalmente ao mercado seus resultados trimestrais, o banco vai realizar uma apresentação para os analistas do mercado de capitais em Brasília no mês de junho.

O banco já tem números vistosos para exibir. O lucro do primeiro trimestre do ano foi de 214,7 milhões de reais, revertendo totalmente o prejuízo de 94 milhões de reais registrado no mesmo período do ano passado. A reviravolta foi obtida graças à profunda reestruturação realizada pelo banco durante o ano passado. Em 2001, a Caixa vendeu 75 bilhões de reais em ativos que rendiam pouco para uma empresa criada especialmente para esse fim, a Empresa Gestora de Ativos (Emgea).

Em contrapartida, a Emgea assumiu dívida que a Caixa tinha junto ao Tesouro e ao Banco Central. “Mantivemos apenas os ativos rentáveis”, diz Albuquerque. “Agora a Caixa está saneada e pronta para competir.” Além do saneamento, a Caixa está adotando uma estratégia mais agressiva para vender produtos para seus clientes. Hoje, o banco tem cerca de 22 milhões de correntistas pessoas físicas, e a meta é oferecer-lhes mais crédito e mais serviços. “Vamos oferecer limites pré-aprovados”, diz Albuquerque.

A Caixa também quer ser a primeira a chegar onde nenhum outro banco jamais esteve. O banco hoje tem agências ou correspondentes (empresas vinculadas à Caixa que prestam serviços bancários como o recebimento de contas e o pagamento de benefícios) em 4 500 municípios brasileiros. “Vamos chegar aos 5 561 municípios até o fim de julho”, diz Albuquerque. A meta do banco é conquistar mais 10 milhões de clientes nos próximos cinco anos.