Cautela evita prejuízos à Gerber

Na disputa pelo mercado brasileiro de papinhas infantis, a Gerber optou por testar a demanda antes de construir uma fábrica no país, o que evitou grandes prejuízos

Tomar decisões erradas é um perigo que correm todos os executivos não importa quão bem preparados eles sejam. Mas alguns procedimentos podem minimizar os riscos. Não agir por impulso nem superestimar o mercado são alguns deles. Pode parecer um pouco conservadora, mas foi justamente essa postura que evitou que a Gerber, líder mundial em alimentos para bebês, sofresse um grande prejuízo no Brasil.

Em 2000, a Gerber, decidiu começar a disputar o mercado brasileiro de papinhas infantis, dominado pela Nestlé. Mas em vez de montar uma fábrica, a empresa decidiu importar os produtos. Por quê? Nos anos 70, quando ainda não havia sido adquirida pela farmacêutica Novartis, a companhia chegou a atuar no Brasil, mas acabou abandonando o mercado graças ao fracasso da operação.

Por quase três anos, a Gerber tentou ganhar espaço. Segundo executivos da empresa, uma das maiores dificuldades foi lidar com a proibição de propaganda de papinhas uma determinação que começou a vigorar depois que a empresa havia iniciado as importações. Sem poder duelar na mídia com a Nestlé, a Gerber não conseguiu se aproximar do consumidor. Em junho de 2003, a Gerber decidiu abandonar o mercado pela segunda vez.

A experiência custou à multinacional 2 milhões de dólares. Muito menos do que poderia ter custado se a Gerber tivesse aberto uma fábrica antes de testar o mercado. “Optar pela cautela foi uma decisão certa”, afirma Nelson Mussolini, diretor da Novartis. “A maior prova disso é que, mesmo depois de encerrada a experiência no Brasil, nenhum executivo envolvido no processo foi demitido.”