Carrefour se aproxima de divisão com queda das ações

Papéis da varejista desabaram para o menor nível em mais de 10 anos

Londres/Paris – O Carrefour, segunda maior rede de varejo do mundo, se aproximou de uma possível divisão depois que suas ações desabaram para o menor nível em 16 anos e o acionista Blue Capital ampliou controle sobre a companhia.

Uma reorganização da administração nesta semana sugere que o Blue Capital, uma aliança entre o magnata Bernard Arnault e o fundo de private equity Colony Capital, pode estar se preparando para vender ou dividir os negócios do grupo em mercados emergentes enquanto busca recuperar pesadas perdas sobre seu investimento.

As ações do Carrefour despencaram cerca de 40 por cento neste ano e tocaram a marca dos 18,25 euros nesta sexta-feira, menor nível desde 1995, o que implica em perdas de mais de 1 bilhão de euros para a Blue Capital, que comprou papeis da varejista a cerca de 45 euros.

O Carrefour informou na quinta-feira ter indicado Pierre-Jean Sivignon da Philips para substituit Pierre Bouchut na vice-presidência financeira do grupo, enquanto Bouchut foi dirigido para comendar operações em mercados emergentes.

À primeira vista, a decisão dá a entender que Bouchut está pagando o preço por quatro alertas de lucro em menos de um ano, o que representa um caminho para que o grupo abandone margens de lucro previstas para 2011, o que analistas consideram como inevitável.

Mas o executivo é tido como próximo da Blue Capital, que detém 14 por cento do Carrefour e cerca de 20 por cento de direito a voto na empresa, e seu novo cargo é um sinal de uma nova ênfase sobre os mercados emergentes do Carrefour, diante da fracassada tentativa de unir ativos no Brasil ao grupo Pão de Açúcar.

Bouchut vai substituir Thierry Garnier, considerado por uma fonte próxima do assunto como opositor ao Blue Capital na tentativa fracassada de separar os ativos imobiliários do Carrefour no início do ano.

“Garnier é um homem de varejo, enquanto Bouchut é um financista. Do ponto de vista financeiro de venda de ativos e venda de parte do grupo, Bouchut é a pessoa certa”, disse um analista que pediu para não ser identificado.

O Carrefour não comentou a indicação de Bouchut, enquanto representante da Blue Capital não estava disponível para falar sobre o assunto.

A venda ou a separação dos ativos do Carrefour em mercados emergentes pode ajudar a recuperar o preço da ação do grupo, já que analistas afirmam que o valor dos ativos em paíes como Brasil e China não estão totalmente refletidos no preço da ação do grupo, por causa das preocupações sobre a fraqueza das operações na Europa Ocidental.


As ações do Carrefour são negociadas a 10,7 vezes sobre a previsão de lucro, ante 21,5 vezes do Pão de Açúcar, segundo dados da Reuters.

O avaliação similar do valor dos ativos do Carrefour em mercados emergentes pode adicionar de 3 bilhões a 4 bilhões de euros ao valor de mercado do grupo, ou cerca de um quarto do total atual, segundo analistas do Bank of America Merrill Lynch.

Mas não há garantias de que qualquer tentativa de separar o grupo será bem sucedida.

Apesar de analistas afirmarem que o Carrefour poderia atrair muito interesse por suas lojas no Brasil e China –o Wal-Mart é visto como mais provável comprador– alguns se mostram céticos quanto ao interesse por todos os ativos de mercados emergentes do grupo francês. Quando o Carrefour vendeu suas lojas na Tailândia no ano passado, a empresa não conseguiu o mesmo na Malásia e em Cingapura.

Por essa razão, a varejista poderá preferir buscar uma separação de seus negócios na Ásia e na América Latina, que tiveram um lucro operacional combinado de 730 milhões de euros em 2010.