Cacau Show: menos Páscoa, mais sorvete

Sentado na sala de reuniões da sede da fabricante de chocolates Cacau Show, em Itapevi, na Grande São Paulo, seu fundador, Alexandre Costa, dedica-se a abrir meia dúzia de embalagens de sorvete. É a grande novidade da companhia. Aproveita para falar sobre a composição de cada um — “este tem 20% de morango”, “aquele tem 75% de cacau”, e por aí vai. Minutos depois, ele prova bolinhos e waffles, produtos ainda em teste pela empresa.

A Cacau Show lança mais de 100 produtos por ano. Até o ano passado, eram basicamente novos tipos de chocolate. Agora, com os sorvetes e as novas ideias, a vida está ficando ainda mais complexa. E o plano é esse mesmo. O objetivo é um só: cortar a dependência do maior sucesso de qualquer empresa de chocolate, a Páscoa.

Em 2015, a Cacau Show cresceu 10%. Suas 2.000 lojas venderam 2,8 bilhões de reais — 10% a mais do que em 2014. A indústria faturou 960 milhões de reais. Foram 250 novas lojas no ano passado. Neste ano, a meta é abrir mais 230 lojas e manter o ritmo de expansão. O problema é que cerca de 30% das vendas ainda vêm da Páscoa. Em 2016, o volume passou de 500 milhões de reais só em apenas uma semana.

É uma concentração que exige seis meses de planejamento e a contratação de 500 funcionários extras. Já foi pior – outras datas, como Natal, dia das crianças e dia dos namorados vêm ganhando força. Mas, para Costa, poderia ser muito melhor. “Minhas lojas só operam em plena capacidade mesmo durante seis dias do ano. O desafio é fazer com que lotem nos outros 358”, diz.

Com os waffles, os bolinhos, e outras novidades em estudo, Costa estuda entrar no mercado de confeitaria — o que transformaria a Cacau Show numa companhia de alimentos. A ideia é usar as 2.000 lojas da empresa no país para vender diversos tipos de doce. O maior desafio é convencer os 2.000 franqueados da empresa sobre a importância das mudanças. “Para uma empresa com tantos franqueados, qualquer mudança é muito difícil”, diz Adir Ribeiro, sócio da consultoria de varejo Praxxis.

Nos Estados Unidos, a rede de lanchonetes McDonald’s enfrentou uma série de problemas com franqueados ao implantar o café da manhã 24 horas, o que complicou a operação e deixou o atendimento mais lento, inclusive para vender hambúrgueres.

Mas ficar parado também não parece ser uma boa opção, já que a concorrência avança. A fabricante suíça de chocolates Lindt se associou à paulistana Kopenhagen e anunciou planos de abrir até 100 lojas no Brasil nos próximos anos. A própria Kopenhagen triplicou sua rede de lojas Chocolates Brasil Cacau nos últimos três anos. É competição 365 dias por ano.

(Lucas Amorim)