Brasil Food reajustará preços de produtos

O reajuste dos preços dos produtos da BRF neste trimestre será de 5 a 10 por cento, informou a empresa em conferência oficial

São Paulo – A Brasil Foods, maior produtora de carne de aves e suína do país, reajustará imediatamente o preço de produtos para compensar o aumento de custos, especialmente a alta nos grãos que servem de ração para os animais, disse o presidente da empresa nesta terça-feira.

O reajuste dos preços dos produtos da BRF neste trimestre será de 5 a 10 por cento, afirmou José Antonio Fay, em conferência com jornalistas para detalhar os resultados do segundo trimestre.

O mercado internacional de grãos teve preços recordes recentemente, por conta da seca que afetou as lavouras norte-americanas, e a BRF busca recuperar margens com os reajustes.

Altas maiores não são descartadas até o fim do ano, dependendo do comportamento dos preços de insumos, acrescentou o presidente da BRF.

O executivo lembrou que o planejamento para as vendas de final de ano teve início em março, e os animais já estão sendo alimentados com grãos a um preço muito mais alto do que no ano passado.

“Isto quer dizer que os preços devem ficar mais altos no final do ano”, declarou Fay, reforçando que diante das altas dos custos até o momento os aumentos já começam a ser aplicados neste trimestre.

“Estamos falando de aumentos entre 5 e 10 por cento, com a visão que se tem hoje (de custos). E isto é imediatamente, até o final do ano, a ver”, completou ele.


No segundo trimestre, a empresa já aplicou reajuste marginal entre 1 e 2 por cento.

Resultados – A BRF divulgou na segunda-feira o resultado do segundo trimestre, com queda de 99 por cento no lucro líquido, para 6 milhões de reais, por influência importante dos preços de grãos.

As commodities agrícolas vêm registrado recordes de alta nas últimas semanas nos mercados internacionais, por conta de uma quebra de safra nos Estados Unidos, tradicionalmente o maior produtor global de soja e milho.

A rentabilidade da Brasil Foods veio abaixo do esperado pela companhia por estes fatores conjunturais no último trimestre.

“Neste trimestre vimos um aumento dos custos de grãos em velocidade nunca vista. Isso faz com que a velocidade de repasse também tenha que ser muito grande”, disse Fay.

O vice-presidente de finanças da BRF, Leopoldo Saboya, observa que já começou a haver repasse dos preços no mercado interno. A medida é vista como necessária para recuperar as margens da companhia, após a pressão de custos do último trimestre.

As vendas domésticas da BRF cresceram 7 por cento no segundo trimestre, totalizando 3,97 bilhões de reais.


“O fato é que estamos com despesas maiores, num momento em que a gente prepara a companhia (para crescer)… A companhia está, desde o começo do ano, com um plano de redução de despesas muito forte”, disse Saboya.

Segundo ele, os investimentos de 611 milhões de reais realizados pela companhia neste ano ainda são decorrentes da incorporação. “Ainda estamos em processo de fusão. Ainda estamos em processo de compatibilização do capex”, afirmou o vice-presidente, referindo-se às medidas para concluir a integração entre Sadia e Perdigão.

O executivo ressaltou que o principal evento do trimestre foi a operação do termo de compromisso de desempenho (TCD), firmado com o órgão antitruste brasileiro no ano passado, quando a incorporação da Sadia pela Perdigão foi aprovada. Mas ele ressalta que a companhia não esperava a atual conjuntura, que eleva custos e torna mais complexa a execução do TCD.

Mercado externo – As exportações da BRF tiveram um crescimento de 11 por cento no segundo trimestre, para 2,87 bilhões de reais, com maiores volumes embarcados sobretudo de carne bovina e suína, por conta da boa demanda registrada no período.

O vice-presidente de mercado externo da BRF, Antonio Augusto de Toni, apontou uma recuperação gradativa do mercado externo e considera que há espaço para repasse de preços em alguns países no Extremo Oriente e Oriente Médio.

Segundo ele, a fábrica que está sendo construída em Abu Dhabi –para processados, usando matéria-prima brasileira–, como forma de acessar mais países da Liga Árabe, deve entrar em operação em 2013.

Mas ele pondera que, apesar da melhora na demanda, há pouco espaço para elevar preços de produtos embarcados para Europa e Japão, país que ainda conta com considerável nível de estoques.