Brasil não é para investidores iniciantes, diz consultoria

"Muitos fundos levantaram recursos no oba-oba do Brasil, mas não tinham vivência de crise", disse André Castellini, sócio da Bain & Company

São Paulo – Os resultados dos investimentos de fundos de private equity no Brasil e na América Latina foram decepcionantes em relação a outras regiões emergentes, EUA ou Europa.

Como o Brasil concentra 80% dos investimentos em private capital da América Latina, também foi relevante para os resultados negativos, por conta da crise que assolou o país nos últimos anos, afirmou uma pesquisa da Bain & Company. Mas esse não é o único fator do macroeconômico para um desempenho ruim na região.

A queda no preço das commodities levou a uma desaceleração da economia em vários países. Com isso, as moedas locais se desvalorizaram em relação ao dólar, o que levou à queda, em dólar, dos ganhos. Se uma empresa foi comprada com o dólar desvalorizado e vendida com a moeda em alta, o fundo perdeu apenas com a variação cambial.

No entanto, um dos principais a principal razão para os resultados desanimadores é a falta de experiência de alguns fundos com os altos e baixos, diz a consultoria. “Muitos fundos levantaram recursos no oba-oba do Brasil, mas não tinham vivência de crise”, disse André Castellini, sócio da Bain & Company. “O Brasil não é para iniciantes”, afirmou.

Alguns destes fundos foram criados por investidores saídos de bancos. Estes têm experiência apenas em compra e venda de ações, mas não sabem como, de fato, tocar essas empresas, disse o consultor. Por isso, tomavam decisões apenas com base no valor da companhia, sem analisá-la a fundo ou conhecer o setor em que está.

A inexperiência também levou a alguns erros de planejamento, disse ele. Um dos dizeres mais comuns do setor é que o investidor não deve apostar todas suas fichas em um único investimento.

Castellini diz que, apesar de muitos terem colocado seus recursos em empresas de setores diferentes e terem uma carteira aparentemente diversificada, muitas empresas estavam baseadas na mesma premissa, de crescimento da classe média. Quando essa ascensão foi paralisada pela crise, todas essas empresas – e os fundos que investiram nelas – sofreram.

Nesse cenário instável, quem se destacou foram os fundos mais experientes. A pesquisa destaca os fundos Advent, Pátria, Gávea, Victoria e Linzor.