Brasil começa a ver uma retomada, diz Abilio Diniz

Diniz defendeu a melhor gestão dos gastos públicos, mas criticou que os cortes tenham afetado serviços essenciais de saúde e segurança

São Paulo – O empresário Abilio Diniz avaliou com otimismo o desempenho recente da economia brasileira. Para ele, o Brasil começa a ver uma retomada e investidores estrangeiros têm acreditado nas empresas no País.

Diniz discursou durante o Latam Retail Show, evento que reúne executivos do varejo em São Paulo. Ele comentou que a abertura de capital do Carrefour mostra essa confiança de investidores.

“Se nós brasileiros não estamos acreditando muito, o pessoal lá fora está acreditando uma barbaridade…. Abrimos o capital do Carrefour Brasil e tinha gente que me dizia que eu era louco”, comentou.

Atual presidente do Conselho de Administração da BRF e um dos maiores acionistas globais do Grupo Carrefour, Diniz falou ainda sobre a participação de empresários na política. “Já teve um tempo em que eu achava que tinha que influenciar na política. Hoje penso que empresário tem que ser empresário. Função de empresário é gerar emprego e riqueza para o País”, concluiu.

Ele defendeu a melhor gestão dos gastos públicos, mas criticou que os cortes tenham afetado serviços essenciais de saúde e segurança. “Não está sendo cortado onde precisa cortar, acaba sobrando para a saúde, para a segurança… Esse é um tema que me preocupa muito.”

Reforma política

Abilio Diniz comentou também o debate em torno da reforma política no Brasil avaliando que o sistema político não é o principal problema do País. “O problema é a forma como políticos estão lidando com ele”, afirmou.

Diniz se disse favorável à implementação do Parlamentarismo, porém considerou que seriam necessárias algumas medidas anteriores, como o estabelecimento do sistema de voto distrital. “Não se trata desse ‘distritão’ do qual estão falando, mas um sistema em que o eleitor conheça melhor seus candidatos”, disse.

O empresário ainda avaliou que não é possível prever qual deve ser a conclusão no Congresso sobre a reforma política, mas disse que não acredita numa reforma no curto prazo.