Bradesco Saúde cresce fatia na Odontoprev e divide analistas

Enquanto algumas corretoras apostam que mudança foi um bom negócio, outras têm um pé atrás com a novidade

São Paulo – As mudanças na Odontoprev, maior operadora de planos odontológicos da América Latina, vêm dividindo opiniões no mercado. Enquanto alguns analistas apontam o aumento de participação da Bradesco Saúde como positivo, outros indicam que o negócio pode não dar certo. Difícil é saber quem está com a razão.

Do lado da mudança, estão corretoras como a Credit Suisse. “A Odontoprev tem enfretado algumas dificuldades, como menor crescimento e aumento de custo com os dentistas”, afirma relatório assinado por Clarissa Berman e Rodrigo Morales. Segundo ele, o aumento da participação da Bradesco Saúde é positivo – como também acreditam os analistas da J.P.Morgan.

“A estratégia da Odontoprev, que sempre foi focada na criação de valor para o acionista, continua inalterada e o desafio do crescimento do número de clientes a curto prazo continua o mesmo”, afirmam Andrea Teixeira, Joseph Giordano e Pedro Leduc em relatório.

Contra

Já corretoras como a Merril Lynch e a Brasil Plural não receberam a notícia da reorganização societária com tanto entusiasmo. Para a primeira, “o fato de Zanetti – fundador da Odontoprev – estar deixando a presidência e vendendo sua parte” deve gerar uma reação negativa do mercado – de acordo com relatório de Diego Moreno e Thomas Humpert.

Em informe divulgado pela Brasil Plural, Guilherme Assis e Ruben Couto alertam para o risco da Odontoprev se tornar uma empresa menor dentro do conglomerado da Bradesco Saúde.

Mudanças

Ontem, o Bradesco Saúde aumentou em 6,5% sua participação na Odontoprev. O grupo assumiu o controle da empresa, tornando-se dona de 50,01%, graças à venda de ações por parte de Randal Luiz Zanetti. Pelo acordo assinado, o fundador da Odontoprev passa a ter 1% dos papéis e deve ocupar o cargo de vice-presidente do conselho de administração da Odontoprev, deixando a vaga de diretor-presidente da empresa.

Em seu lugar, assume Mauro Figueiredo, executivo da Bradesco Saúde desde 2011 e ex-presidente do grupo Fleury. Lá, ele foi reponsável pela abertura de capital em 2009. “A experiência de Figueiredo pode ajudar com inovação e maior abrangência nos canais de distribuição”, aposta a Credit Suisse.

(texto atualizado às 16h45)