BR Properties vê melhora na alavancagem e margens em 2013

Além da expectativa de novas receitas de aluguel, a empresa aposta em aumento dos aluguéis acima da inflação

São Paulo – A investidora em imóveis comerciais BR Properties estima queda do nível de seu endividamento e aumento das margens em 2013, e que isso se reflita em valorização das ações.

Além da expectativa de que imóveis prestes a ser entregues ou entregues recentemente comecem a gerar receita de aluguel, a empresa também aposta em aumento dos aluguéis acima da inflação, embora em menor ritmo do que no ano passado.

“Não será um crescimento espetacular, mas melhor que 2012”, disse à Reuters o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Br Properties, Pedro Daltro.

Em 2012, o aumento dos aluguéis foi de 20 a 25 %, em média. As dificuldades de aprovações de novos projetos, e a consequente demora no aumento da oferta, ajudam na alta dos preços, segundo Daltro.

Ele prevê ainda que o início das atividades de algumas propriedades siga reduzindo o endividamento da companhia. A relação entre dívida líquida e Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da BR Properties já caiu de 9,7 vezes em março de 2012 para 5,6 vezes no fim do primeiro trimestre.

“Ela (alavancagem) deve cair ainda mais até o final do ano. A gente alongou a dívida, começou a ter geração de caixa destas propriedades”, afirmou. A maioria dos 11 projetos que a BR Properties têm em desenvolvimento deve ser concluída este ano.

Em outra frente para melhorar seu perfil financeiro, a empresa também considera fazer emissões de dívida, disse o executivo. “Como o mercado está bom, a gente quer aproveitar para alongar e reduzir custos também”, afirmou Daltro.

A BR Properties trabalha com compra, locação, administração, incorporação e venda de imóveis comerciais em grandes regiões metropolitanas do país, com foco em São Paulo e Rio de Janeiro.

A empresa anunciou em 2011 a união com a WTorre Properties, consolidando a liderança no setor imobiliário comercial no país. O principal acionista da BR Properties é o Banco BTG Pactual, com 25 % do capital.


Do portfólio atual de escritórios, 40 % estão no Rio de Janeiro e 25 % em São Paulo. Dos projetos futuros, dois estão no Rio e o restante no Estado de São Paulo.

Mercado de capitais

Segundo Daltro, além da esperada melhora financeira e operacional, a companhia espera que suas ações na bolsa se beneficiem do ganho de visibilidade, já que seus papéis passaram a fazer parte da carteira teórica Ibovespa, principal índice da bolsa paulista. Por isso, gestores de fundos referenciados no indicador passam a ter que comprar as ações da companhia.

“O fato de ser uma ação mais líquida, no longo prazo tende a ter uma precificação melhor”, disse Daltro, citando o consequente interesse de grandes fundos de pensão que antes eram mais restritivos a investir na companhia.

Em 2013 até quinta-feira, o papel da BR Properties recuou 12,5 %, enquanto o Ibovespa caiu 10,1 %.