BR Partners terá Citrin na área de reestruturação de dívida

A demanda por reestruturações de dívida pode crescer em meio a estimativas de que o Brasil pode ter entrado em recessão

A BR Advisory Partners Participações, banco de investimento e firma de gestão de ativos fundada pelo ex-CEO do Goldman Sachs Group Inc. no Brasil, está criando uma área de assessoria de reestruturação de dívida no momento em que a economia do país está desacelerando.

Claudio Citrin se uniu ao banco como diretor-gerente para iniciar a nova divisão, disse Andrea Pinheiro, que fundou a BR Partners, com sede em São Paulo, em 2009 com Ricardo Lacerda, ex-CEO do Goldman Sachs no Brasil.

Citrin, 52, trabalhou antes na Spinnaker Capital Ltda por 14 anos como gestor de fundos de hedge na América Latina.

A demanda por reestruturações de dívida pode crescer em meio a estimativas de que o Brasil pode ter entrado em recessão.

O Credit Suisse Group AG rebaixou na semana passada sua previsão para o PIB do país no segundo trimestre para -0,5 por cento, contra -0,2 por cento na projeção anterior, e prevê que na revisão do PIB do primeiro trimestre o crescimento também seja negativo.

A taxa de inadimplência subiu 4,9 por cento nos 12 meses até junho em relação aos 12 meses anteriores, segundo o Serasa Experian.

Dois trimestres consecutivos de queda na atividade caracterizam uma recessão.

“No ano passado tivemos uma ressaca na América Latina após os excessos cometidos na busca por maiores retornos”, disse Citrin, em entrevista no escritório da BR Partners, em São Paulo.

“Pretendemos iniciar o trabalho com companhias assim que elas notarem os primeiros problemas e antes que percam todo seu valor de mercado por conta da redução na qualidade do crédito”.

A Spinnaker foca em dívidas de alto rendimento e de risco nos mercados emergentes.

Os investimentos da empresa com sede em Londres incluíram a OGX Petróleo Gás Participações SA, agora chamada Óleo e Gás Participações SA, que deu um calote sobre US$ 3,6 bilhões em títulos no ano passado, um recorde para mercados emergentes.

Força de trabalho

“Com a nova área nós podemos otimizar nossos recursos de trabalho, porque a mesma base de analistas que está trabalhando em negócios de fusão e aquisição também pode trabalhar com casos de assessoria de reestruturação de dívida”, disse Pinheiro, em uma entrevista.

“Normalmente quando um desses negócios está indo bem o outro está desacelerando”.

As transações de fusão e aquisição no Brasil caíram 22 por cento até aqui neste ano, para 304, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Pinheiro disse que pelo fato de a empresa não fornecer crédito, ela evita conflitos de interesse com companhias altamente endividadas, investidores e fornecedores em casos de reestruturação.

Citrin foi convidado a unir-se à BR Partners por José Flávio Ramos, que foi aprovado pelo Banco Central neste mês para se tornar CEO do BR Partners Banco de Investimento. Lacerda continuará como CEO da holding BR Advisory Partners Participações.

Fortuna de Safra

Ramos, 56, entrou na BR Partners há dois anos após trabalhar durante quatro anos como responsável do family office do bilionário Joseph Yacoub Safra, dono do império bancário global Safra e segundo homem mais rico do Brasil, de acordo com o índice Bloomberg Billionaires.

Antes disso, Ramos foi tesoureiro do Citigroup Inc. no Brasil, onde trabalhou por 23 anos e conheceu Citrin, que começou como estagiário do Citigroup, banco com sede em Nova York.

Também foi lá que Ramos conheceu Lacerda, que foi chefe de investment banking para o Brasil entre 2005 e 2009 e codiretor para a América Latina de 2007 a 2009. Ele foi CEO do Goldman Sachs no Brasil de 2001 a 2005.

Roberto Hollander, ex-executivo do Banco Bradesco SA, foi contratado como diretor de risco da BR Partners e Claudio Omagari, ex-diretor-gerente do Citigroup, chefiará a tesouraria do banco, disse a empresa.

A BR Partners tem R$ 2,3 bilhões (US$ 1 bilhão) em ativos sob gestão e reportou R$ 21 milhões em lucro no ano passado.

A empresa, que tem 106 funcionários, ajudou companhias a emitirem cerca de R$ 200 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários, conhecidos como CRIs, nos últimos 12 meses, segundo Ramos.