Boticário abre fábrica para atender o Nordeste

A fábrica, que exigiu investimentos de R$ 380 milhões, busca atender o crescente consumo de cosméticos na região

São Paulo – De olho no consumo das regiões Norte e Nordeste, onde a venda de cosméticos cresce acima da média nacional, o Grupo Boticário vai inaugurar nesta terça-feira, 16, em Camaçari (BA), uma fábrica que exigiu investimentos de R$ 380 milhões. O projeto faz parte de um pacote de expansão de R$ 650 milhões, que incluiu também um laboratório de desenvolvimento de produtos na sede da empresa, em São José dos Pinhais (PR), e um centro de distribuição na cidade baiana de São Gonçalo dos Campos.

A ampliação da capacidade produtiva visa a deixar a empresa com uma “folga” para acomodar o crescimento do consumo até 2020, segundo o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum. Em 2014, a previsão do grupo é de uma desaceleração na expansão de vendas em relação à média dos últimos cinco anos.

Mesmo assim, a receita deve crescer até 17% em relação a 2013 e superar a marca de R$ 9 bilhões. Neste ano, O Boticário tornou-se a marca líder em perfumaria no País, segundo a consultoria Euromonitor.

Para os próximos anos, a empresa pretende reduzir o investimento em abertura de lojas. Mesmo assim, diz Grynbaum, a companhia deverá abrir pelo menos mais cem unidades por ano – hoje, só de O Boticário, a principal marca da companhia, são quase 3,7 mil unidades em todo o País.

Para ampliar sua presença, a empresa começou a operar, há dois anos, no setor de vendas diretas, concorrendo diretamente com Natura e Avon. Em 2014, mais de 5% da receita da companhia – ou cerca de R$ 500 milhões – devem vir deste canal de vendas (leia box).

Para o executivo, como os franqueados operam a venda direta a partir das lojas, a rapidez na entrega é um dos diferenciais da empresa no porta a porta.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a decisão de vender produtos da marca O Boticário por meio de consultoras não foi fácil. A companhia levou anos para “abraçar” a causa, por receio de que a venda direta “canibalizasse” as lojas.

“Primeiro a rede punia os franqueados que contratavam revendedoras. Depois, passou a ignorar a prática. Por fim, decidiram organizá-la”, diz uma fonte do setor de perfumaria.

Concorrência

O investimento do grupo paranaense em novas marcas – como Eudora, The Beauty Box e Quem Disse, Berenice? – e na ampliação de sua capacidade de desenvolvimento e produção é uma resposta à chegada de novos concorrentes ao Brasil, diz o consultor em franquias Marcelo Cherto.

Além das tradicionais rivais Natura e Avon, lembra ele, a empresa agora precisa enfrentar também gigantes como a francesa L’Oréal, que vem ocupando mais espaço não só no varejo tradicional (com marcas como a linha de maquiagem Maybelline), mas também com lojas próprias.

A empresa comprou a The Body Store em 2013 e deve inaugurar as primeiras lojas The Body Shop no País ainda nos próximos meses. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.