Bom desempenho da Oi não salva resultado trimestral da PT

A receita operacional observou uma queda de 6,2% em relação ao terceiro trimestre de 2011, totalizando 1,639 bilhão de euros

São Paulo – Apesar dos resultados positivos apresentados pela Oi no Brasil, o balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2012 da controladora Portugal Telecom (PT), divulgado nesta sexta-feira, 30, não se mostrou tão positivo. A receita operacional observou recuo, e o lucro operacional contou com uma queda acentuada de 20,2% no comparativo de trimestres. As justificativas da PT são as dificuldades econômicas do mercado português e desvalorização do real.

A receita operacional observou uma queda de 6,2% em relação ao terceiro trimestre de 2011, totalizando 1,639 bilhão de euros. Na soma dos últimos nove meses, o resultado foi diferente: alta de 12,9%, totalizando 4,983 bilhões de euros em 2012.

A PT justifica que o aumento nas receitas operacionais se deu por conta do impacto da consolidação proporcional da Oi e da Contax no primeiro trimestre do ano, já que os resultados dessas empresas só foram consolidados a partir do dia 1º de abril de 2011. Excluindo o impacto de 802 milhões de euros das alterações, além do impacto de 178 milhões de euros por conta da desvalorização do real brasileiro, as receitas operacionais consolidadas “teriam diminuído apenas 1,3% nos 9M12 face aos 9M11”, o que totalizaria 4,226 bilhões de euros. A empresa diz ainda que isso impactou a receita de negócios de telecom em Portugal, mesmo com maior contribuição da Oi e de outros negócios como a Contax, MTC na Namíbia, Timor Telecom e da CVT em Cabo Verde. A tele brasileira representa 45,96% da receita operacional da PT, contra 41,59% das operações em Portugal.

O EBITDA registrou recuo de 10,2%, fechando o trimestre terminado em outubro em 587,8 milhões de euros, mas com uma alta de 4,5% no acúmulo do ano. No resultado do EBITDA sem o Capex, a queda, no entanto, foi mais acentuada e afetou o resultado acumulado: recuo de 40,4% no trimestre (totalizando 219,7 milhões de euros) e de 11,7% no ano (838,6 milhões de euros).

O lucro operacional (resultado antes de resultados financeiros e impostos e outros custos) teve queda acentuada de 20,2% no 3T12, fechando o período com 219,6 milhões de euros. Em nove meses, a queda foi menor: 3,1%, somando até agora 648,4 milhões de euros. O lucro líquido, por sua vez, caiu 28,8% em relação ao terceiro trimestre de 2011, totalizando 63,7 milhões de euros. No ano inteiro, a queda foi ainda maior: 37,3%, somando 188,9 milhões de euros. O Capex aumentou 28,8%, fechando outubro com 368,1 milhões de euros. No acúmulo, o aumento foi de 26,5%, totalizando 890,2 milhões de euros.


A dívida líquida ajustada é de 7,538 bilhões de euros, aumento de 19,4% em relação ao ano passado. Excluindo os investimentos na Oi e na empresa brasileira de contact center Contax, a dívida cai para 4,590 bilhões de euros. Segundo a companhia portuguesa, em 30 de setembro de 2012 a dívida líquida foi ajustada pelo montante de 2 bilhões de euros “a receber da Telefônica no âmbito da transação da Vivo, no valor, recebido em outubro de 2011”, resultado da venda de sua participação na joint-venture Brasilcel, holding da Vivo.

Desempenho em Portugal

O destaque negativo da operadora portuguesa foi o segmento de mobilidade, que teve queda de 11,2% no trimestre, totalizando 177,6 milhões de euros. No ano, a queda foi de 10%, de 517,2 milhões de euros. O mercado corporativo ainda é o que mais fatura, mas também presenciou recuo significativo: 8,4% no trimestre (total de 218,4 milhões de euros) e 9% nos nove meses (670,6 milhões de euros). O segmento de serviços residenciais foi o único a apresentar desenvolvimento positivo: 178,6 milhões de euros, aumento de 4,1% no trimestre, e 534 milhões de euros (aumento de 4,6%) nos nove meses.

Segundo a PT, o decréscimo nas receitas corporativas ocorreu com o impacto do corte de custos “significativo” na administração pública e grandes empresas, pela “pressão ao nível do preço e do consumo” e “redução significativa de decisões de investimentos em novos projetos pela administração pública”.