Blackstone comprará maior complexo de prédios de Manhattan

A Blackstone está negociando a compra do Stuyvesant Town-Peter Cooper Village, o que colocaria o complexo nas mãos da maior empresa de private-equity do mundo

A Blackstone Group LP está negociando a compra do Stuyvesant Town-Peter Cooper Village, de Nova York, uma transação que colocaria o maior complexo de apartamentos de Manhattan nas mãos da maior empresa de private-equity do mundo e manteria preços acessíveis para algumas moradias do imóvel.

A Blackstone, que trabalha com a empresa canadense de investimentos Ivanhoé Cambridge Inc., comprará o enclave de 32 hectares por cerca de US$ 5,3 bilhões, disseram a empresa e autoridades municipais nesta terça-feira.

O preço é um pouco menor que o recorde de US$ 5,4 bilhões pago pelos donos anteriores, a Tishman Speyer e a BlackRock Inc., há quase nove anos, antes de deixarem de honrar a hipoteca, em 2010, em um dos maiores colapsos da expansão imobiliária da última década.

A venda encerra cinco anos de incertezas em relação à posse do complexo, que abriga cerca de 30.000 moradores e é um tradicional refúgio imobiliário para os nova-iorquinos de classe média.

O negócio inclui um acordo que manteria quase metade dos mais de 11.000 apartamentos a preços acessíveis por 20 anos. A aquisição estende o esforço da Blackstone pela posse de imóveis para alugar e transforma a empresa em uma das maiores proprietárias de imóveis residenciais para locação de Manhattan.

A transação foi formalmente anunciada em uma entrevista coletiva, nesta terça-feira, pelo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pelo diretor imobiliário da Blackstone, Jon Gray, e pelo vereador Daniel Garodnick, morador de longa data do Stuyvesant Town-Peter Cooper Village.

“Durante gerações, o Stuyvesant Town foi um lar para famílias trabalhadoras e de classe média”, disse De Blasio, em um comunicado. “Trabalhando com o membro da legislatura Garodnick, com a associação de inquilinos, com a Blackstone e com a Ivanhoé Cambridge, nós preservaremos os imóveis acessíveis desta comunidade por décadas”.

Demanda por apartamentos

O complexo Stuyvesant Town-Peter Cooper Village, localizado entre as ruas 14 e 23 da parte leste de Manhattan, foi construído nos anos 1940 pela MetLife Inc., com ajuda municipal, para abrigar veteranos da Segunda Guerra Mundial.

A Tishman Speyer e a BlackRock entregaram o imóvel aos credores depois que seu valor despencou durante a crise financeira e os inquilinos obtiveram uma decisão favorável em uma ação judicial para impedir o aumento vertiginoso em alguns aluguéis.

Desde então, o complexo está sob controle da CWCapital Asset Management, que representa os detentores de bonds.

Agora, os apartamentos lideram os cinco anos de recuperação dos valores dos imóveis comerciais dos EUA, enquanto os aluguéis de Manhattan subiram. Os preços dos edifícios multifamiliares estão 33 por cento mais elevados do que no pico anterior, de 2007, segundo a Moody’s Investors Service e a Real Capital Analytics Inc.

Garodnick disse que cerca de 5.000 unidades serão preservadas como “acessíveis” por 20 anos, com uma introdução gradual dos aumentos nos aluguéis durante cinco anos. Outras 1.400 unidades que têm seus aluguéis regulados até 2020 agora serão reguladas até 2025.

“Diferentemente do que vem ocorrendo na história recente, esse negócio não exige uma rápida rotatividade das unidades que contam com aluguéis estáveis”, disse ele, em um comunicado, na segunda-feira à noite.

“Em contrapartida, ele coloca os inquilinos atuais e futuros em uma posição muito melhor do que a atual”.

Quinhentas das 5.000 unidades seriam reservadas a famílias que ganham menos de US$ 62.000 por ano, com um aluguel mensal de cerca de US$ 1.500 por um apartamento de dois quartos, disse Wiley Norvell, porta-voz de De Blasio, na noite de segunda-feira.

As outras 4.500 unidades ficariam para famílias que recebem até US$ 128.000 ao ano, o que se traduziria em cerca de US$ 3.200 ao mês.

As 1.400 unidades que ganharão outros cinco anos de proteção dos aluguéis verão aumentos anuais de não mais que 5 por cento segundo o novo acordo, disse ele.