Ben Bradlee

Ex-editor executivo do Washington Post

Minha primeira experiência como líder foi a bordo do destróier USS Philip durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, eu tinha 21 anos e havia sido promovido a oficial de convés. Em outras palavras, a menos que eu estivesse no campo de batalha, o navio ficava praticamente sob minha responsabilidade. Aprendi duas coisas que ainda hoje conservo comigo na redação do Washington Post.

Em primeiro lugar, a importância de tomar decisões rápidas. Quando se está a bordo de um destróier em plena guerra, nunca se sabe o que vai acontecer quando acordarmos na manhã seguinte. O mesmo se aplica à redação de um jornal. São cinco edições diárias, e há infinitas maneiras de preencher as colunas. É preciso decidir quais histórias serão publicadas, quem irá escrevê-las, quanto se deve interferir naquilo que foi escrito, em que lugar do jornal as histórias serão colocadas. Todas essas decisões vão despencando sobre a gente no fim do dia à medida que os prazos vão se esgotando. As principais decisões — aquelas que afetam a reputação do jornal — têm de ser tomadas em questão de minutos. Diante disso, a internet parece um filme em câmera lenta.

Em segundo lugar, aprendi que não devemos tomar nenhuma decisão se não houver pessoas capacitadas à nossa volta. Era o que acontecia na época em que eu dirigia destróieres — e também hoje na redação ocorre o mesmo. Se você for inteligente, contratará e incentivará gente mais inteligente do que você — ou que ao menos saiba muitas coisas que você não sabe. Com isso, será bem mais fácil tomar decisões.

Uma vez que o jornalismo do Post sempre se pautou na polêmica e no ceticismo, imagino que vocês esperassem uma crítica aos ex-presidentes do jornal dos últimos 50 anos. Contudo, sinto-me cada dia mais solidário a eles — dirigir um jornal é tarefa quase impossível. Com o passar dos anos, começo até a achar que Ronald Reagan foi um grande líder. Não se pode, é claro, comparar sua inteligência com a de um cientista espacial, mas ele soube como ninguém liderar seu povo e mantê-lo unido.