BCP aposta em novo centro de desenvolvimento

A BCP, maior companhia da banda B da telefonia celular no país, que opera na região da Grande São Paulo, está apostando num recentemente montado centro de desenvolvimento de novos aplicativos para incrementar as receitas a partir da infra-estrutura de transmissão de dados que já possui.

A área, sob responsabilidade de Carlos Boschetti, vice-presidente de operações da BCP, é composta por seis pesquisadores cuja missão é encontrar empresas que criaram o conceito de produtos e serviços que dependem de uma rede de transmissão de dados como a da BCP e trabalhar em conjunto com cada uma delas para viabilizar o lançamento.

Atualmente mais de 10 novos produtos e serviços estão nessa fase. O primeiro a chegar ao mercado deverá ser um aparelho capaz de processar contas de cartão de crédito sem uma linha de telefone fixa, que poderá ser usado em táxis, por exemplo.

“Uma das vantagens é que desenvolvemos novos serviços em parceria com outras empresas”, diz Boschetti. “Isso melhora o custo-benefício do investimento.”

A BCP vive às voltas com uma rígida política de redução de custos desde que se tornou inadimplente por não quitar uma parcela de 375 milhões de dólares no último dia 28 de março, de uma dívida total de 1,6 bilhão de dólares com um grupo de 34 bancos credores. Desde então, não há acordo entre os acionistas — que já estariam mais interessados em se desfazer de suas participações no negócio — sobre o pagamento.

“Felizmente já vínhamos de uma política de controle dos gastos”, diz o paulista Dante Iacovone, que assumiu a presidência da BCP em setembro de 2000 com o objetivo de melhorar a rentabilidade da empresa. Ele trocou praticamente todos os executivos da empresa. “Em junho fechamos o primeiro ano com o mesmo corpo gerencial”, diz.

Os resultados já aparecem: os estoques de aparelhos telefônicos, por exemplo, caíram quase pela metade — dos 40 000 do final do ano passado para os 29 000 atuais. A inadimplência foi um outro alvo de Iacovone. Hoje, um cliente inadimplente, em quatro dias depois do prazo de pagamento, recebe um lembrete por telefone. Em mais dois dias, uma ligação pelo celular e, em mais quatro dias, uma ligação no telefone fixo.

“Antes não havia tanta rigidez no controle dos maus pagadores”, diz Luis Schiriak, vice-presidente financeiro da BCP, que mantém diversos cartazes da campanha contra inadimplência iniciada no ano passado em sua sala, no 5º andar de um edifício às margens do rio Pinheiros, em São Paulo. Dos 10,5% de perdas sobre o faturamento que a empresa registrava em maio de 2001, a BCP passou para 5,5% atualmente.

Com medidas assim, nos últimos 12 meses, a empresa conseguiu deixar de gastar 400 milhões de reais. Mas as perspectivas de melhorar os resultados financeiros da BCP só se concretizarão quando a dívida, cujos juros consomem 200 milhões de dólares anuais, for quitada.