Bancos entram em campo para atrair torcedores de times de futebol

Em apenas seis meses, BMG lançou três bancos digitais com Corinthians, Vasco e, mais recentemente, Atlético Mineiro. Banco Renner fechou acordo com Cruzeiro

São Paulo – Os 90 minutos de jogo não são disputados apenas pelos 22 jogadores em campo. As marcas também se enfrentam dentro das quatro linhas na tentativa de converter, em algum momento, visibilidade em vendas. A novidade é que os bancos estão se apoiando na paixão dos torcedores — e no interesse em ajudar seus times — para ganhar novos clientes.

É o caso do BMG que em menos de seis meses lançou três bancos digitais: um do Corinthians, outro do Vasco e, mais recentemente, do Atlético Mineiro. Juntos, esses clubes têm cerca de 43 milhões de torcedores, e a expectativa da instituição é que parte deles abram contas digitais no “Meu Corinthians BMG”, no “Meu Vasco BMG” ou no “Meu Galo BMG”.

Se conseguir atrair 10% dos torcedores, o BMG vai mais que dobrar o número de clientes ativos, que hoje somam 3,5 milhões. 

O grande atrativo para os torcedores é a possibilidade de contribuir com a receita dos clubes do coração. Isso porque a cada novo correntista o time ganha 10 reais. Além disso, parte das taxas cobradas em investimentos e em empréstimos será repassada aos cofres dos clubes.

“Temos um acordo diferente com cada um deles, em alguns casos, 70% ficam para a gente e 30% para eles, em outros a relação é de 80% e 20%”, explica Márcio Alaor, vice-presidente do Banco BMG.

Como em outras contas digitais, o BMG oferece cartão personalizado do clube, conta 100% online sem tarifas, cartão de crédito sem anuidade, transferências gratuitas e saques ilimitados no Banco 24h. 

O executivo diz que ainda é cedo para falar em resultados. Por mais que o lançamento da primeira plataforma tenha ocorrido em janeiro, ela só entrou em operação em maio.

“Caso dê certo, a ideia é expandir a estratégia para outros times no ano que vem”, diz. “Outras plataformas digitais captam clientes para oferecer produtos em algum momento; nós não, nós já temos produtos para oferecer.”

Aos 88 anos, o banco da família Pentagna Guimarães tem ampliado o escopo de atuação com a abertura de contas digitais. Mas ainda é uma instituição financeira predominantemente voltada para aposentados e pensionistas. Isso fica claro no fato de o cartão de crédito consignado ter representado, no primeiro trimestre, 75% da carteira total de crédito que alcançou 9,5 bilhões de reais.

O banco teve lucro líquido de 77 milhões de reais, mais do que o dobro do mesmo período do ano passado.

Cruzeiro

O Banco Renner também viu no futebol uma boa forma de angariar novos clientes. O banco Digi+ fez uma parceria com o Cruzeiro de olho nos 10 milhões de torcedores do time mineiro.

“O intuito é o torcedor estar engajado no projeto para que possa gerar resultado para o clube e para o banco. Sim, lógico que se visa lucro, mas o que queremos mostrar é que uma gestão diferente, inovadora, com práticas modernas, nós podemos sair do tradicional, porque se os clubes se continuarem no tradicional estão fadados ao fracasso, a problemas econômicos como se vê por aí”, afirmou João Urbaneja, presidente do Banco Renner, durante a coletiva de apresentação da parceria, em março.

É bom esclarecer que, por mais que o BMG tenha feito parceria com o Corinthians, o Vasco e o Atlético Mineiro, e o Banco Renner com o Cruzeiro, as instituições financeiras não atuam na gestão dos clubes. Jogam no mesmo time mas só fora do campo.