Azul monitora agronegócio e infraestrutura para crescer

Depois de superar a marca de 100 destinos, a Azul passou a patinar na suas tentativas de expansão e se vê desativando serviços

São Paulo – Com uma malha de 103 cidades atendidas, das 106 que, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), atualmente recebem voos regulares, a Azul se volta para o agronegócio e as obras de infraestrutura para tentar fazer sua conectividade crescer.

“Hoje são os dois grandes vetores de crescimento”, disse o diretor de Planejamento, Marcelo Bento Ribeiro.

Depois de superar a marca de 100 destinos, a Azul passou a patinar na suas tentativas de expansão e se vê desativando serviços.

Esta semana, a companhia anunciou que em novembro deixará de operar voos para Araraquara, no interior de São Paulo.

A justificativa é a de que havia baixa demanda na rota, que ligava a cidade ao aeroporto de Viracopos (Campinas-SP), principal centro de conexões (hub) da empresa.

“Não temos medo de tentar (operar novas rotas). Às vezes encontramos o ponto de equilíbrio, outras vezes não.”

Normalmente, a companhia avalia o desempenho de uma rota por entre seis meses a um ano.

“Se nesse período de maturação não vislumbrarmos que podemos chegar ao ponto de equilíbrio, encerramos (a rota)”, disse Ribeiro, que lembrou que anteriormente outras cidades já deixaram de ser atendidas, entre as quais Varginha (MG) e localidades na Amazônia.

Mas ele considera que ainda não se esgotaram as possibilidades de novos destinos e lembrou que a companhia vai iniciar operações para as cidades baianas de Teixeira de Freitas e Feira de Santana e pretende também começar a voar para Divinópolis (MG) até o fim do ano.

Ribeiro indicou que se o programa de subsídio para aviação regional já estivesse em vigor, provavelmente a rota Araraquara-Campinas seria viável.

O programa, que tramita no Congresso Nacional, prevê isenção de taxas em aeroportos regionais – que serão arcadas pelo Fundo Nacional de Aviação Civil – e o pagamento de parte dos custos de voos com origem ou destino em cidades do interior, em valores que devem variar conforme as características da rota.

“Essa subvenção inicial é importante, para alavancar o mercado”, afirmou.

O programa de aviação regional também prevê investimentos de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos. Ribeiro salientou, porém, que o país não deve chegar a ter 300 ou 400 aeroportos com voos regulares.

“Acreditamos que existe enorme potencial de crescimento de cidades atendidas, mas não vai chegar aos mais de 300 que foram vistos nos anos 50 e 60”, disse, durante seminário em São Paulo.

Ainda assim, defendeu os investimentos. “Quando o governo fala que vai investir em 300 aeroportos, está correto, porque nem só de voos regulares vive a aviação”, acrescentou.

O consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adalberto Febeliano, corroborou.

“Os aeroportos começam atendendo aviação geral – voos privados, taxi aéreo -, e a partir disso se aumenta o desenvolvimento econômico da região e atrai voos regulares”, disse.

Ele salientou, porém, que enquanto o aeroporto não oferece três voos diários, o serviço é considerado ruim.

Internacional

No segmento internacional, que a Azul inaugura no fim deste ano, Ribeiro afirmou que o desempenho inicial superou a expectativa.

A companhia começou a vender na semana passada passagens aéreas para Orlando e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com voos a partir do aeroporto de Viracopos.

“Sabíamos que teríamos forte demanda, porque lançamos preços promocionais, mas foi melhor do que esperávamos”, disse.

Durante o evento, circulou a informação de que a companhia teria vendido 50 mil bilhetes em dois dias, mas Ribeiro não confirmou o número. A companhia aérea ofereceu bilhetes de ida e volta por R$ 1.500 para viagens realizadas entre 1º e 14 de dezembro.

Empresas concorrentes cobravam entre R$ 2.049 e R$ 3.332 pelos bilhetes de ida e volta para Orlando e Fort Lauderdale no mesmo período.