Azul apresenta resultados, mas sem ter conseguido comprar Avianca

Avianca era porta de entrada da Azul para grandes aeroportos brasileiros, mas imbróglios com credores não permitiram que a empresa concluísse a negociação

A Azul apresenta resultados nesta quinta-feira com um gosto amargo. Há dois meses, os planos da companhia aérea brasileira envolviam chegar ao fim desta semana tendo concluído a compra da concorrente Avianca, em recuperação judicial, e aberto caminho para expandir sua participação na ponte-aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo. Não foi bem assim.

Terceira do mercado doméstico, atrás de Gol e Latam, a Azul havia feito oferta de 105 milhões de dólares em ativos da Avianca. A aquisição poderia expandir sua participação o mercado doméstico dos atuais 19% para 25% caso concluísse a compra da concorrente e, assim, ficasse também com suas autorizações de pouso e decolagem nos aeroportos (os chamados slots).

A Avianca corre o risco de ir à falência caso fracasse na venda de ativos, com dívida de 2,7 bilhões de reais. Para as concorrentes da Azul, contudo, o cenário ideal é que a falência da Avianca leve a uma distribuição dos slots, e não que a Azul conclua a compra da empresa e fique com todos os espaços.

Assim, a Azul viu nas últimas semanas o maior credor da Avianca, o fundo Elliott, costurar um acordo para que Gol e Latam fizessem aportes na Avianca e levassem a empresa a um conturbado leilão de seus slots, que deveria ter acontecido nesta terça-feira, 7, mas foi suspenso pela Justiça. Ao que tudo indica, a Azul não teria negociado as mesmas condições preferenciais com o Elliott, o que irritou o maior credor.

Enquanto isso, o leilão foi suspenso pela Justiça sobretudo devido a questionamentos de outra credora, a empresa de logística Swissport, que não gostou das condições preferenciais que Latam e Gol negociaram com o Elliott. Outra questão é que os slots não são posse de uma companhia aérea para que possam ser leiloados, embora a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não tenha feito objeção a esse ponto como se esperava.

Nos resultados entre janeiro e março, referentes ao último trimestre fiscal de 2018, o faturamento da Azul cresceu 13,5%, totalizando 2,5 bilhões de reais. O lucro, por sua vez, caiu 215%, de 297 para 128 milhões de reais. Um dos sucessos da companhia é o programa de fidelidade Tudo Azul, cujo faturamento cresceu 29% entre 2017 e 2018 e hoje tem 18% de participação no mercado.

O número de passageiros da Azul em 2018 teve crescimento de 8,9%, acima da média do mercado, com a empresa transportando quase 18 milhões de passageiros no ano passado – a Gol cresceu 3,1% e a Latam, 2,2% em número de passageiros.

Os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2019 apresentados nesta quinta-feira devem seguir mostrando uma crescente da companhia, que vem crescendo e conquistando fidelidade dos clientes sem fazer “loucuras” e pressionar muito as margens, ao contrário do que fez a própria Avianca. A Azul teve alta de 6,81% na bolsa nesta quarta-feira, enquanto o mercado espera pelos resultados e aguarda os novos capítulos do leilão de slots.

A Azul foi fundada em 2008 pelo empresário David Neeleman e, em 2010, já era a terceira do mercado doméstico, com 6% de participação. Em 2012, a empresa anunciou sua fusão com a Trip, e em 2014, passou a fazer voos internacionais. Crescendo com rotas alternativas às grandes concorrentes, a compra da Avianca a ajudaria a subir um degrau e fincar de vez o pé nos aeroportos importantes. Não foi dessa vez – ao menos, por enquanto.