Atlas Schindler se prepara para ano de vacas magras

Com o mercado imobiliário desaquecido, fabricante de elevadores e escadas rolantes investe na estabilidade

São Paulo – A Atlas Schindler, fabricante de escadas rolantes e elevadores, pegou carona na alta do mercado imobiliário dos últimos anos para crescer. Agora, com a desaceleração do setor, a empresa investe para se manter estável.

De 2007 a 2013, o Brasil viu o mercado da construção civil explodir, crescimento que reverberou na Atlas. “Nossa operação hoje é bem maior, praticamente dobrou”, diz André Inserra, presidente da empresa.

Enquanto o PIB da construção civil cresceu 5,6% em 2013, as vendas líquidas da Atlas Schindler cresceram 9,8%, atingindo R$ 1,82 bilhão. Em três anos, no período de pico, o lucro bruto da empresa cresceu 45,9%, atingindo R$534 milhões em 2012.

Em 2013, a rentabilidade da empresa, que é o retorno do investimento aplicado em um ano, foi de 76,6%.

Antes de 2007, a empresa vendia em média 7 mil unidades por ano, entre elevadores e escadas rolantes. No auge do crescimento, comercializava 15 mil unidades.

Porém, o mercado enfrenta um ano difícil. Os preços estão se estabilizando neste ano, subindo a um ritmo que é cerca de um terço do de 2011, segundo dados compilados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, a Fipe, e pelo site imobiliário Zap Imóveis.

Como reflexo, a Atlas Schindler prevê vender apenas 13 mil unidades em 2014.

O presidente diz que está preparando a empresa para os tempos de vacas magras. Um dos segredos é o equilíbrio entre flexibilidade e estabilidade.

A fábrica do grupo, em Londrina, tem capacidade para expandir e encolher sempre que for necessário. “O pessoal de montagem praticamente dobrou no pico de produção”, diz Inserra.

Por outro lado, os funcionários do setor de manutenção estão há um bom tempo na empresa – alguns por 10, 30 e até 50 anos. A carreira longeva é necessária, já que aprender sobre as especificidades de todos os equipamentos leva um tempo razoável.

Manter a fábrica flexível e os funcionários estáveis é um dos segredos, segundo o presidente.

Além disso, a empresa está modernizando sua linha de elevadores. Antes, para produzir um equipamento personalizado e sob medida, a equipe precisava se deslocar até a construção do prédio.

Hoje, a produção ocorre dentro da fábrica, com tamanho e acabamentos escolhidos pelo cliente. “Ouvir os clientes também é fundamental. Os arquitetos queriam mais flexibilidade, e foi o que entregamos”, diz Inserra.