As razões da intervenção no banco BVA

Banco Central assumiu o banco, em quinta intervenção desde 2010

São Paulo – Além de operar sem o capital mínimo exigido pelo Banco Central, o banco BVA tinha problemas de gestão de crédito e investimentos. Segundo EXAME apurou com executivos que analisaram os números da instituição, a remuneração oferecida pelo BVA em títulos de dívida subordinada era muito superior à média de mercado – em alguns casos, era duas vezes maior. Como a estrutura de capital do banco estava baseada neste tipo de dívida, ou seja, o BVA precisava desses recursos para ter um patrimônio mínimo para operar, o BC entendeu que a instituição tinha uma base frágil de captação de recursos, o que continuava deixando em risco sua saúde financeira. Essa foi uma das razões da intervenção, segundo pessoas próximas.

O BVA divulgou um prejuízo de 97 milhões de reais no primeiro semestre. Conforme EXAME apurou, os balancetes de julho a setembro, que estavam sendo finalizados pela empresa de auditoria KPMG, indicariam uma perda adicional de 100 milhões de reais. Os ajustes foram feitos justamente pelo maior rigor exigido pelo BC na classificação dos créditos – o regulador considerou que o banco estava subestimando o risco de seus tomadores e, com a piora na classificação dos créditos, exigiu mais provisões, o que motivou a perda adicional. Mas o BC considerou insuficientes as providências tomadas pelo BVA. Essa foi outra razão da intervenção.


Após a intervenção do BC, o banco parou de operar. Os sete pontos de atendimento do banco foram fechados. Os depositantes não têm acesso a seus recursos – não podem fazer TED ou resgate de CDB, por exemplo. Em três dias úteis, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai pagar a garantia dos detentores de Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE) – 20 milhões de reais por titular de conta – e, em um prazo de cerca de um mês, deverá cobrir a garantia de investidores de Cédulas de Depósito Bancário (CDBs) – de 70 mil reais por CPF.

O interventor tem um prazo de 120 dias para identificar falhas no BVA e apurar responsabilidades administrativas, mas a intervenção pode durar seis meses. Há a possibilidade de acordo com os controladores, para a capitalização do banco, o que poderia fazer a instituição voltar a operar. Outra opção é a venda do BVA a outro banco. Se nenhuma das alternativas vingar, o BVA será liquidado, como ocorreu recentemente com o Cruzeiro do Sul.

Procurado, o BC não comentou as informações. O BVA afirmou que os ajustes exigidos pelo Banco Central foram feitos. Mas não comentou a estrutura de captação de recursos.