As dúvidas sobre a Kroton

A bolsa chegou ontem a seu maior patamar desde março de 2012: 65.748 pontos. Em um ano, a alta já é de 72,2%. Ações de empresas como bancos e mineradoras voltaram a ser destaque. Mas uma das queridinhas do Ibovespa nos últimos anos teve um de seus dias mais difíceis – as ações da Kroton, o maior grupo de ensino privado do planeta, caíram 4,44%. A Estácio, concorrente que depende da aprovação do conselho de defesa da concorrência para se unir à Kroton, caíram 2,85%.

O motivo foi uma nova dose de incerteza num tema que vem tirando o sono dos investidores dessas companhias – o Fies, o financiamento estudantil do governo federal. A queda de ontem veio após reportagem da revista VEJA mostrar irregularidades nas operações de diversas faculdades da Kroton. Segundo a reportagem, os alunos com financiamento do governo pagam mais caro do que estudantes comuns. Em alguns casos, chegam a ser cobrados duas vezes da instituição.

A Kroton disse à revista que são casos pontuais, e reiterou que não tem como prática cobrar mais de alunos que recebem financiamento do governo. A última edição da revista EXAME mostrou que o tema é tão central que a companhia montou uma “central anti-boato” para evitar que informações novas prejudiquem suas ações. Mas o fato é que as denúncias se acumulam, e os investidores, como se viu ontem, estão atentos.

Relatório do banco BTG Pactual sobre o tema afina que o Fies ajudou a Kroton e outras empresas a aumentar seus preços de forma geral (até 45%, segundo banco). Mas o BTG afirma que não há evidências de fraude por parte das empresas. Com tudo isso em conta, o banco continua recomendando a compra das ações. Mas, para o governo, os investidores e, sobretudo, os alunos, a empresa precisa mais do que nunca dirimir toda e qualquer dúvida sobre seu modus operandi.